Líderes europeus da Otan pretendem convencer o presidente dos EUA, Donald Trump, nesta quarta-feira (8), a reafirmar seu compromisso com a aliança militar durante a cúpula em Ancara, Turquia, após o presidente americano reacendeu disputas com eles sobre a guerra contra o Irã e a questão da Groenlândia.
Após chegar à capital turca na terça-feira (7), Trump disse que poderia ter boicotado a cúpula se não fosse pela amizade com o anfitrião, o presidente Tayyip Erdogan, e não descartou novas retiradas de tropas da Europa.
Mais cedo naquele dia, a Otan buscou demonstrar que seus membros europeus estavam atendendo aos apelos de Trump para investir mais na própria defesa e depender menos dos EUA, ao anunciar uma série de acordos de armamentos avaliados em pelo menos 50 bilhões de dólares.
Trump, que criticou duramente a Otan tanto em seu primeiro quanto em seu segundo mandato, disse estar “muito decepcionado” com a aliança e afirmou que os EUA não foram “bem tratados” durante a guerra conjunta com Israel contra o Irã.
“Por que estamos gastando centenas de bilhões de dólares se eles não estão lá por nós? Nós sempre estivemos lá por eles”, disse Trump em uma aparição na terça-feira ao lado de Erdogan.
Trump acusou nações europeias de não permitirem que as forças dos EUA utilizassem seu espaço aéreo e bases em seus territórios durante a guerra.
Autoridades europeias afirmaram ter cumprido, em grande parte, seus compromissos com as forças dos EUA, apesar de não terem sido consultadas sobre um conflito que abalou suas economias e foi profundamente impopular na Europa.
Provocações de Trump contra Meloni
Nas últimas semanas, Trump tem direcionado críticas especificamente à primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni — anteriormente uma aliada próxima.
Na terça-feira, Trump disse que sua relação com Meloni “ficou um pouco ruim porque ela se recusou a nos ajudar” em relação ao Irã, embora também a tenha descrito como uma “pessoa simpática”.
Autoridades italianas têm tentado, nos últimos dias, encerrar a polêmica.
Questão da Groenlândia
Trump também afirmou que a Groenlândia, um território semiautônomo da Dinamarca (país membro da Otan), deveria ser controlada pelos Estados Unidos.
Horas depois, também falando em Ancara, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disse esperar que os aliados respeitassem a soberania do Reino da Dinamarca e aceitassem que a Groenlândia não estava à venda.
Declaração reitera compromisso com defesa coletiva
Os 32 líderes da Otan reuniram-se para um jantar na noite de terça-feira, mas a sessão principal da cúpula ocorre nesta quarta-feira.
Embaixadores de todos os países-membros da Otan aprovaram uma declaração da cúpula que reafirma um “compromisso inabalável” com a defesa coletiva. No entanto, a declaração só será divulgada após ser ratificada pelos líderes.
O governo Trump tem pressionado os europeus a aumentar os gastos com defesa e a assumir a responsabilidade principal pela defesa convencional da Europa, à medida que busca deslocar seu foco militar para a região do Indo-Pacífico.
Os EUA também anunciaram a retirada de tropas da Europa, reduziram as forças alocadas aos planos de defesa da Otan — incluindo um porta-aviões, aeronaves de reabastecimento, caças e drones — e iniciaram uma revisão de seis meses sobre sua presença militar no continente.
Líderes europeus afirmam estar trabalhando para assumir maior responsabilidade pela segurança do continente, mas desejam uma transição previsível e ordenada para evitar lacunas na defesa que possam ser exploradas pela Rússia.
Autoridades europeias expressaram a esperança de que a estima de Trump por Erdogan e seu bom relacionamento com o Secretário-Geral da Otan, Mark Rutte, ajudem a amenizar as tensões durante a cúpula.

