A Associação do Futebol Argentino (AFA) está sendo investigada pelo Departamento Federal de Investigação (FBI) em meio à Copa do Mundo. As autoridades apuram se movimentações financeiras realizadas em solo americano durante a gestão do presidente Claudio Tapia e do tesoureiro Pablo Toviggino podem configurar crimes como lavagem de dinheiro, desvio de recursos e fraude bancária.
No centro da investigação está a empresa TourProdEnter LLC, sediada na Flórida e pertencente ao empresário Javier Faroni. A companhia era responsável pela administração da cobrança dos contratos internacionais firmados pela AFA com patrocinadores e outros parceiros comerciais.
As autoridades buscam rastrear o fluxo dos recursos administrados por Faroni e sua esposa, Erica Gillete, por meio do sistema financeiro dos Estados Unidos. Entre os contratos analisados estão um acordo de US$ 60 milhões com a Adidas e outro de US$ 40 milhões com a Warner.
Segundo investigação do jornal argentino La Nación, a empresa movimentou pelo menos US$ 260 milhões em receitas da AFA por meio de grandes bancos americanos, como Citibank, JPMorgan e Bank of America.
O principal ponto de atenção para o FBI é que cerca de US$ 57 milhões desse total foram transferidos para empresas e beneficiários sem justificativa econômica clara ou finalidade comercial identificável nos documentos. De acordo com a apuração, apenas parte do montante teria sido destinada aos custos operacionais da AFA.
Há suspeitas de que algumas dessas empresas sejam de fachada. Segundo os documentos analisados pelo La Nación, elas não prestavam qualquer tipo de serviço e eram controladas por pessoas que constavam como beneficiárias de programas de assistência social na Argentina. Os investigadores também identificaram pagamentos para duas empresas ligadas a Toviggino, além de transferências para sua companheira, que é parente de Manuel Valdés, apontado como “guia espiritual” da Seleção Argentina.
As investigações ganharam força em 2025 e são conduzidas pelos procuradores federais Patrick Gushue, Christopher Ting e Michael Berger. Agentes do FBI e promotores especializados em crimes financeiros e integridade pública já iniciaram a coleta de depoimentos.
Recentemente, o empresário Guillermo Tofoni, CEO da World Eleven, prestou depoimento às autoridades. A empresa é parceira comercial da AFA e possui licença da Fifa para organizar os amistosos internacionais da Seleção Argentina. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos também avalia convocar ex-integrantes do governo do presidente argentino Javier Milei que fiscalizaram ou tiveram acesso a informações da federação nos últimos anos.
Até o momento, a investigação segue em fase preliminar nos Estados Unidos, e nenhuma acusação formal ou indiciamento foi apresentado contra a AFA ou seus dirigentes. A entidade ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso.
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