O árbitro Raphael Claus continua na mira do governo dos Estados Unidos. Em uma entrevista concedida nesta quarta-feira (8), Andrew Giuliani, diretor da força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, precisou recuar no seu discurso ao repetir uma fala de Donald Trump.
Após o presidente dos Estados Unidos afirmar que Claus era “um pouco suspeito” pelo seu “passado”, Giuliani disse que a Casa Branca considera “altamente suspeito o fato de haver um árbitro que já havia sido investigado por manipulação de resultados anteriormente e, especificamente, por cartões vermelhos irregulares”.
Giuliani só recuou ao ser confrontado por repórteres brasileiros. Vale frisar que Claus nunca foi investigado de envolvimento em nenhum esquema de manipulação de resultados.
Ele foi convidado a falar como testemunha em uma reunião da CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas, em abril de 2024, onde foi amplamente elogiado pelo até então presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Wilson Seneme. Esse convite, no entanto, é o que tem embasado as acusações vindas dos Estados Unidos.
Segundo o jornal inglês The Guardian, foi apenas após a insistência de jornalistas brasileiros que Garfield reconheceu que Claus nunca foi acusado de nenhum crime.
“Ele não foi acusado de crimes. Nós entendemos isso. O que estou lhe dizendo é que ele esteve ligado a uma investigação de manipulação de resultados há alguns anos no Brasil, onde eles estavam distribuindo, abro aspas, ‘cartões vermelhos irregulares’, certo? Então esses são os fatos. Ele esteve ligado àquela investigação”, insistiu.
Segundo o The Athletic, Andrew Giuliani teve papel central ao trabalhar diretamente com a equipe jurídica e buscar atualizações constantes tanto da Fifa quanto da U.S. Soccer.
Fifa, CBF e Conmebol defendem Claus
Na última semana, após Claus ser alvo de um dossiê do governo norte-americano, a Fifa saiu em defesa do árbitro brasileiro em um comunicado. “Ao longo de sua carreira, ele [Claus] demonstrou consistentemente os mais altos padrões de profissionalismo e integridade”, diz o texto.
A Conmebol ressaltou as qualidade de Raphael Claus e reforçou a confiança que tem em seu trabalho. “Reconhecimento à trajetória, à honestidade, à independência e à competência profissional do árbitro sul-americano Raphael Claus, qualidades amplamente demonstradas ao longo de sua destacada carreira na arbitragem internacional”, disse a entidade.
“Nesse sentido, a Comissão manifesta seu pleno e irrestrito apoio ao seu trabalho, reafirmando sua confiança em seu profissionalismo, sua integridade e no compromisso com o qual desempenha suas funções a serviço do futebol mundial”, concluiu a nota da confederação responsável pelo esporte na América do Sul.
Por que Claus está na mira do Governo dos EUA?
Raphael Claus se tornou alvo de dossiê do governo de Donald Trump no caso da expulsão revertida de Folarin Balogun no jogo entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina, pela segunda fase da Copa do Mundo de 2026.
O atacante recebeu cartão vermelho no segundo tempo do confronto no Levi’s Stadium, em Santa Clara, ao pisar com as travas da chuteira no tornozelo de Tarik Muharemovic. Inicialmente, ele não foi punido, mas após ser chamado para analisar o lance no VAR, Claus decidiu colocá-lo para fora de campo.
Após pedido de Trump a Gianni Infantino e a Casa Branca coordenar uma operação jurídica e política, a Fifa reverteu a expulsão e o atacante ficou apto para jogar as oitavas de final contra a Bélgica.
A defesa produzida argumentou que a expulsão de Balogun por Raphael Claus foi injusta, focando especificamente em uma suposta falha na implementação do sistema de VAR.
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