Depois que a última partida da Copa do Mundo em Vancouver, disputada diante de um BC Place lotado na terça-feira (7), encerrou semanas de arquibancadas esgotadas e uma verdadeira febre pelo futebol na cidade, as atenções se voltam para saber se o torneio poderá ajudar a garantir o futuro do Vancouver Whitecaps a longo prazo.
O clube da Major League Soccer (MLS) enfrenta um futuro incerto enquanto seus proprietários buscam um comprador, em meio a preocupações antigas sobre receitas e a permanência da equipe no BC Place, estádio pertencente ao governo da província.
Em abril, um grupo sediado nos Estados Unidos manifestou oficialmente interesse em transferir a franquia para Las Vegas.
Para os torcedores que lutam para manter o Whitecaps em Vancouver, porém, a Copa do Mundo trouxe novas evidências do enorme interesse da cidade pelo futebol de alto nível.
“Um time nunca deveria ser transferido de cidade, mas ainda menos de uma cidade que acabou de sediar uma Copa do Mundo”, disse à Reuters Ciaran Nicoll, presidente e secretário do Vancouver Southsiders.
Fundado em 1999, o Vancouver Southsiders é o grupo de torcedores mais antigo e numeroso do clube, com cerca de 600 associados neste ano. A organização lidera a campanha #SaveTheCaps, promovendo marchas e ações de mobilização na comunidade.
“Se algum possível comprador está pensando em adquirir o clube e mantê-lo aqui, basta olhar a empolgação que é possível gerar”, afirmou Nicoll.
“Nos últimos anos, o BC Place ficou lotado em diversas ocasiões. Estamos constantemente entre os cinco clubes com maior público da liga. Vancouver tem uma população extremamente internacional, apaixonada por futebol, e isso ficou ainda mais evidente durante a Copa do Mundo.
“Dá para perceber o quanto esse mercado ainda é pouco explorado quando se trata de atrair essas pessoas para viver a experiência de assistir a um jogo do Whitecaps.”
No maior palco do futebol
Para Darcie Kerr, cofundadora do grupo de torcedores The Sisters, perder o Whitecaps depois de Vancouver passar um mês exibindo sua paixão pelo futebol ao mundo seria difícil de justificar.
Criado em 2017, o The Sisters surgiu para oferecer um espaço mais inclusivo para mulheres, torcedores da comunidade 2SLGBTQIA+ e outros grupos historicamente sub-representados no futebol da cidade.
“Se o clube for vendido e se mudar para os Estados Unidos, isso vai deixar um gosto amargo para muito mais gente agora”, disse Kerr.
“Espero que as pessoas fiquem tristes. Espero que não seja só eu. Que quem veio a Vancouver, aproveitou a Copa do Mundo e pensou: ‘Uau, isso é incrível. Como é possível perder tudo isso?'”
O Whitecaps está em Vancouver desde 1974. O clube conquistou o título da North American Soccer League (NASL) em 1979 e, na temporada passada, chegou às finais da MLS Cup e da Liga dos Campeões da Concacaf.
Um dos três clubes canadenses na MLS, ao lado de Toronto FC e CF Montréal, o Whitecaps continua sendo uma das marcas mais tradicionais e reconhecidas do futebol do país.
O clube não é proprietário de seu estádio, o que limita sua capacidade de gerar receitas com dias de jogos e outros eventos. O contrato de aluguel do BC Place termina no fim deste ano.
“Uma solução que mantenha o clube em Vancouver continua sendo nosso principal objetivo, e está claro que isso exigirá o compromisso de toda a comunidade — governo, empresas, torcedores e parceiros que sempre apoiaram o clube”, afirmou o Whitecaps em comunicado divulgado no mês passado.
Dentro de campo, a equipe também vive grande fase. O Vancouver lidera a Conferência Oeste da MLS, com 32 pontos em 14 partidas, e conta em seu elenco com o ex-atacante da seleção alemã Thomas Müller.
“O Whitecaps é parte central da identidade esportiva da nossa cidade, e isso vai muito além do futebol profissional”, afirmou Nicoll.
“O clube financia, direta e indiretamente, oportunidades para que dezenas de milhares de crianças pratiquem futebol em toda a província. Existem impactos muito mais amplos do que aqueles que aparecem quando se olha apenas para o time profissional.”
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