A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (7), a 6ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro no estado do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, a organização criminosa teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana.
Entre os alvos da operação estão o ex-prefeito de Belford Roxo e atual presidente do União Brasil no Rio de Janeiro, Márcio Canella, e o delegado da Polícia Civil Marcus Amim, ex-secretário da corporação. Embora permaneça no cargo de delegado, Amim está atualmente cedido à Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).
As investigações apontam ainda que o policial civil Pablo Juquia, conhecido como Pablo Russo, é considerado um dos principais alvos da operação. De acordo com a Polícia Federal, ele teria integrado equipes comandadas por Marcus Amim em diversas delegacias e seria o verdadeiro controlador, por meio de supostos laranjas, de uma rede de postos de combustíveis com empresas ativas e inativas, utilizada para ocultar e lavar recursos ilícitos.
Os valores movimentados foram identificados a partir de Relatórios de Inteligência Financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). A Polícia Federal também sustenta que o esquema contaria com a participação de agentes públicos.
Ao todo, agentes federais cumprem 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense, além de medidas de sequestro de bens e valores e de suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas aos investigados.
Além da suspeita de organização criminosa, os investigados poderão responder por lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e outros crimes que eventualmente forem identificados ao longo das investigações.
A ação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro, em cumprimento às diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635.
Polícia Civil instaura investigação disciplinar
Em nota, a Polícia Civil informou que a Corregedoria-Geral instaurou procedimento disciplinar para apurar os fatos envolvendo o delegado Marcus Amim.
“A Corregedoria-Geral da Polícia Civil instaurou uma investigação disciplinar para apurar os fatos. A Polícia Civil acompanha o caso de perto e reafirma que não compactua com eventuais desvios de conduta. A instituição mantém mecanismos de controle interno voltados à apuração de irregularidades e colabora com os demais órgãos sempre que necessário. O compromisso da corporação é com a legalidade, a transparência e a correta prestação do serviço público à sociedade”, diz a nota.
A reportagem CNN Brasil entrou em contato com as defesas de Márcio Canella e Marcus Amim, além do União Brasil e Alerj, para solicitar posicionamento. O espaço permanece aberto para manifestação dos citados.

