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Revisão do USMCA pode alterar fluxo de carne bovina na América do Norte

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Revisão do USMCA pode alterar fluxo de carne bovina na América do Norte

A revisão do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) inicia uma nova fase nas negociações comerciais entre os três países e é acompanhada pelo setor de carne bovina, que avalia possíveis impactos sobre o fluxo de comércio na América do Norte.

A expectativa é que a primeira reunião bilateral entre Estados Unidos e México ocorra na semana do dia 20 de julho, na Cidade do México, com temas ligados ao agronegócio no centro das discussões.

Para parte da pecuária norte-americana, a revisão do acordo representa uma oportunidade de fortalecer a produção doméstica. O CEO da R-CALF USA (é uma das principais associações de pecuaristas independentes dos Estados Unidos), Bill Bullard, afirmou que a substituição do modelo trilateral por negociações separadas pode corrigir problemas que, segundo ele, se arrastam desde a criação do NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte).

“A busca por acordos comerciais separados com o Canadá e o México representa uma oportunidade para corrigir as sérias deficiências do NAFTA e do USMCA, que contribuíram significativamente para a contração crônica da indústria pecuária dos EUA”, destacou em comunicado.

Bullard acrescentou que a expectativa da entidade é que os novos acordos priorizem os produtores americanos, reforcem a segurança alimentar do país e restabeleçam condições mais favoráveis para a indústria pecuária dos Estados Unidos.

No entanto, analistas avaliam que a realidade do mercado limita a adoção de medidas mais restritivas. Segundo Rodrigo Dutra, analista de mercado, o momento exige cautela, mas ainda não representa uma ruptura nas relações comerciais.

“Por enquanto, tarifas preferenciais, regras de origem e proteções seguem em vigor normalmente. O foco imediato é a próxima rodada bilateral entre Estados Unidos e México, quando devem entrar em pauta temas agrícolas, incluindo a pressão de produtores americanos por cotas tarifárias, proposta que o México já sinalizou publicamente que rejeita”, apontou.

O analista destaca que a revisão do USMCA acontece justamente no pior cenário de oferta de gado dos Estados Unidos em décadas. As projeções mais recentes do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) indicam nova redução da produção de carne bovina em 2026, enquanto a expectativa para as importações permanece elevada, refletindo a necessidade de abastecimento do mercado interno.

“Os Estados Unidos dependem de Canadá e México para suprir sua demanda por carne para processamento e carne moída. Isso cria uma contradição estrutural que dá aos dois países uma importante carta de barganha nas negociações.”

Outro fator que influencia o cenário é a restrição ao comércio de gado vivo entre México e Estados Unidos por questões sanitárias relacionadas ao surto da mosca-da-bicheira, conhecida como New World Screwworm. Mesmo assim, o México vem ampliando sua participação como fornecedor de carne bovina processada ao mercado americano.

Na avaliação do analista, o maior impacto para exportadores globais dependerá de eventuais mudanças nas regras de origem ou da adoção de cotas tarifárias.

“Se Washington conseguir impor regras mais restritivas ao México durante a revisão do USMCA, o efeito mais provável não será uma redução das importações totais dos Estados Unidos, mas sim uma substituição de fornecedores. Nesse cenário, Brasil, Austrália e Argentina podem ganhar espaço adicional no mercado americano, desde que consigam competir em preço.”

Os dados do primeiro trimestre de 2026 mostram que o Brasil liderou o fornecimento de carne bovina aos Estados Unidos, seguido pela Austrália, ambos ampliando os embarques para atender à crescente demanda por carne magra destinada ao processamento, segmento em que a produção americana não consegue suprir completamente o consumo interno.

“O que está em jogo é o desenho das regras comerciais para os próximos dez anos, justamente em um momento em que os próprios Estados Unidos estão mais dependentes das importações do que em qualquer período recente. Essa dependência tende a limitar o espaço para medidas protecionistas mais duras no setor de carne bovina, mesmo que o discurso político continue firme.”

O analista ainda acrescenta que qualquer mudança nas regras comerciais da América do Norte poderá alterar os fluxos globais de carne bovina, principalmente para o Brasil.

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