A audiência para avaliação das medidas tarifárias contra o Brasil por parte dos Estados Unidos está marcada para esta segunda-feira (6). Uma nova projeção da CNI (Confederação Nacional da Indústria) aponta que, se as taxas de 25% e 12,5% entrarem em vigor, cerca de 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil serão afetados, o equivalente a US$ 14,9 bilhões em exportações.
Um levantamento anterior da confederação já constatava que, com a aprovação das tarifas, a taxação em cima de produtos brasileiros deverá chegar a 37,5%.
Há pouco mais de um mês, o escritório comercial dos EUA propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, exceto para mercadorias que se enquadram como “sujeitas às tarifas de segurança nacional”.
O órgão afirma ter determinado que as políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, certas tarifas e desmatamento ilegal são passíveis de ação judicial nos termos da chamada Seção 301.
Simultaneamente, uma investigação sobre trabalho forçado em quase 90 países foi concluída, com o Brasil presente entre as nações investigadas. Segundo o USTR, esses países não adotam ou não aplicam, de forma efetiva, restrições à importação de bens produzidos com trabalho forçado.
Para este caso, a proposta é a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5%. Assim, quando as duas medidas incidem sobre os produtos brasileiros exportados, a tarifa adicional total pode alcançar 37,5%.
Segundo a CNI, entre os principais produtos exportados para os Estados Unidos, o Brasil atua como o principal fornecedor de 11 deles. Portanto, os principais produtos industriais afetados seriam:
- Ferro-gusa não ligado (Brasil exporta 73,3%)
- Açúcar de cana em forma sólida (52,9%)
- Sebo não comestível (37,5%)
- Álcool etílico não desnaturado (72,3%)
- Molduras de madeira padrão de pinho(59,4%)
- Tabaco curado por fumaça ou processado (72,0%)
- Peptonas e seus derivados (33,1%)
- Compensado de pinus (99,6%)
- Granito monumental ou de construção (48,9%)
- Estacas, paliças, postes e trilhos de madeira (57,8%)
- Hidróxido de alumínio (47,5%)
De acordo com o presidente da CNI, Ricardo Alban, a ação tomada pelos EUA contra o Brasil pode afetar custos para empresas, consumidores e cadeias produtivas.
“O aumento compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e prejudica empresas dos dois países. Estamos falando de cadeias produtivas altamente integradas, nas quais muitos produtos brasileiros são essenciais para a indústria norte-americana”, explica.
A audiência de hoje se estende até amanhã, 7 de julho. Nesta terça, o embaixador brasileiro Roberto Azevêdo representará a CNI na sessão em Washington, capital dos EUA. Além dele, dos 80 inscritos para falar na audiência, 66 devem se posicionar contra a medida.
A decisão final dos Estados Unidos deve ocorrer na próxima quarta-feira (15).

