Os Estados Unidos celebram neste sábado (4) os 250 anos da independência em um momento marcado por desafios internos. O país trava uma guerra impopular no Irã, enfrenta dificuldades econômicas, vê crescer a desconfiança nas instituições e registra níveis historicamente baixos de confiança no governo.
Em meio a esse cenário, a CNN Internacional ouviu oito descendentes dos pais fundadores para refletirem sobre o passado, o presente e o futuro da nação.
A reportagem percorreu diferentes regiões dos Estados Unidos para mostrar como essas famílias enxergam o país dois séculos e meio após a assinatura da Declaração de Independência.
Descendente de Thomas Jefferson e Sally Hemings, o pastor W. Douglas Banks defende que os Estados Unidos enfrentem sua própria história para superar divisões. Para ele, o país vive um período de forte polarização, e a sociedade precisa ter coragem para sair das próprias “zonas de conforto” e dialogar com quem pensa diferente. Banks afirma que sua própria história familiar simboliza as contradições do país e que a reconciliação depende do reconhecimento do passado.
Já Cabell Pasco, estudante de Economia e descendente de um dos fundadores, acredita que os jovens deveriam valorizar mais as oportunidades proporcionadas pelos Estados Unidos. Segundo ele, é possível debater problemas do país sem desmerecer seu legado, e o diálogo respeitoso deveria substituir os confrontos que dominam o ambiente político.
A descendente de Benjamin Franklin e Roger Sherman, Chelsea Lowe, diz estar preocupada com o futuro dos filhos e afirma que os fundadores ficariam decepcionados ao observar a política americana atual. Na avaliação dela, muitos líderes perderam de vista o compromisso de construir um país melhor para as próximas gerações. Apesar disso, Lowe afirma concentrar seus esforços na própria comunidade e na educação dos filhos.
Historiadora e descendente de Abraham Clark, Shirley Hunter Smith destaca os sacrifícios feitos pelos signatários da Declaração de Independência e por suas famílias durante a criação do país. Para ela, muitos americanos conhecem apenas os personagens mais famosos da independência e ignoram o custo pessoal enfrentado por aqueles que ajudaram a fundar a nova república. Smith afirma que a liberdade e o direito de escolha deixados por eles permanecem como parte de seu legado.
A professora Stephanie Nelson, descendente de Thomas Nelson Jr., vê com preocupação o crescimento do ódio e da polarização política. Segundo ela, os americanos precisam voltar a buscar pontos de união, mesmo diante das diferenças, e recuperar o espírito que deu origem aos Estados Unidos.
Skylar Flechsig, descendente de John Morton e recém-formada no primeiro ano da faculdade de Direito, avalia que os fundadores ficariam “envergonhados e horrorizados” com o atual nível de divisão política. Ela afirma que a polarização afetou até sua própria família e defende maior cooperação para enfrentar os desafios do país.
Laura Murphy, descendente de Philip Livingston, reconhece as contradições presentes na origem dos Estados Unidos, lembrando que mulheres, indígenas e pessoas escravizadas não eram contemplados no chamado “sonho americano” imaginado pelos fundadores. Ainda assim, afirma manter esperança na democracia após acompanhar o engajamento de jovens eleitores durante uma eleição local na Filadélfia.
A visão mais otimista vem do artista David Brewster, descendente de Benjamin Franklin. Para ele, a criatividade continua sendo uma das principais características dos Estados Unidos e a democracia americana conseguirá superar o atual período de turbulência. Brewster acredita que o país atravessa uma fase difícil, mas demonstra confiança de que a sociedade encontrará um caminho para reconstruir o diálogo e fortalecer suas instituições.
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