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Mundim: Falta gestão e prestação de contas em estatais deficitárias

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Mundim: Falta gestão e prestação de contas em estatais deficitárias

As estatais brasileiras acumulam um déficit de R$ 7,4 bilhões em 2026, superando o resultado negativo do ano anterior.

Segundo dados do Banco Central, o rombo foi majoritariamente influenciado pelo resultado negativo registrado em janeiro.

A analista de economia da CNN Brasil Rita Mundim aponta que o problema central das empresas públicas deficitárias é a má gestão, agravada pela ausência de obrigação de prestar contas à sociedade.

Em análise sobre o cenário fiscal do país, a analista contextualizou os dados das estatais dentro de um quadro mais amplo de deterioração das contas públicas.

Rita Mundim destacou a importância de diferenciar as empresas estatais conforme seu nível de governança.

Segundo ela, o Banco Central age corretamente ao excluir do cálculo do déficit as empresas que prestam contas ao mercado financeiro, como é o caso da Petrobras, que possui capital aberto e acionistas espalhados pelo mundo.

“A gente tem que separar o joio do trigo, porque a Petrobras tem, pelo menos, governança e é cobrada pelos seus acionistas”, disse.

Já as estatais que não se financiam junto ao mercado, como os Correios, entram na conta do déficit e, segundo ela, sofrem com gestão equivalente à do próprio governo.

Um dos dados mais expressivos apresentados por Rita Mundim diz respeito ao volume de dividendos pagos pelas estatais. De acordo com o relatório do Tesouro Nacional, as empresas públicas pagaram R$ 22 bilhões em dividendos entre janeiro e maio de 2025.

No mesmo período de 2026, esse valor caiu para R$ 8 bilhões — uma redução de aproximadamente 64%. No mês de maio isoladamente, a queda foi ainda mais acentuada: de R$ 9 bilhões em 2025 para R$ 2 bilhões em 2026, representando uma retração de 75%.

“Isso é um absurdo”, avaliou.

Rita Mundim alertou que a piora na gestão das estatais e das contas públicas em geral compromete a credibilidade do Brasil perante o mercado financeiro.

“A piora de gestão é generalizada, das estatais até as contas mais consolidadas“, afirmou.

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