A queda recente do preço do petróleo, que normalmente seria vista como um fator de alívio para a inflação, passou a ser interpretada de forma diferente por parte do mercado financeiro.
Em vez de reduzir as expectativas para os juros nos Estados Unidos, a queda da commodity passou a ser acompanhada por uma alta nos rendimentos dos títulos públicos americanos (Treasuries) de dois anos em um sinal de que o mercado passou a rever as perspectivas para a inflação e a política monetária.
Segundo Bernardo Pascowitch, apresentador da Resenha do Dinheiro, essa mudança na dinâmica ganhou força após a divulgação da inflação ao consumidor (CPI) de abril nos Estados Unidos. Desde então, petróleo e Treasuries de dois anos deixaram de seguir a mesma direção.
A redução dos custos com energia pode estimular ainda mais a atividade econômica. Com combustível mais barato, consumidores tendem a gastar mais e empresas podem ampliar suas margens, mantendo a demanda aquecida e dificultando o controle da inflação, avalia o apresentador.
Para Thiago Godoy, educador financeiro, esse movimento alimenta uma economia que já opera em ritmo forte.
“É como colocar mais combustível em uma fogueira que já está quente. A economia continua aquecida e o petróleo mais barato acaba incentivando ainda mais o consumo”, explica.
A mudança nas expectativas também provocou uma reprecificação dos títulos públicos americanos. Investidores que apostavam em um ciclo de queda dos juros passaram a rever suas posições diante da percepção de que as taxas podem permanecer elevadas por mais tempo.
Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, destaca que essa mudança afetou diretamente os papéis prefixados de curto prazo.
“Quem esperava um ciclo de queda dos juros foi pego no contrapé. As taxas dos Treasuries de dois anos subiram e isso trouxe perdas por marcação a mercado para quem estava posicionado nesses títulos”, afirma.
O cenário reforça a importância de evitar decisões baseadas em apenas um único cenário econômico. Para Bernardo, mudanças inesperadas nas expectativas mostram por que a diversificação continua sendo uma das principais estratégias para o investidor.
“Nunca vale a pena apostar tudo em uma única tese. O mais importante é manter uma carteira diversificada e investir pensando no longo prazo”, acrescenta.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

