O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias, se reuniu nesta quinta-feira (2), com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para tratar das investigações comerciais contra o Brasil que pode gerar uma imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros nos EUA.
Em comunicado divulgado após o encontro, o governo brasileiro afirmou que ambas as partes reconhecem que “o diálogo tem sido construtivo e que mais tempo será preciso para detalhar propostas e aproximar posições”.
Assim, o ministro afirma que as equipes técnicas dos dois países irão de reunir no início da próxima semana, em preparação para nova reunião de alto nível antes de 15 de julho.
Esse foi o quarto encontro entre o ministro brasileiro e o representante do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos). As reuniões anteriores aconteceram nos dias 19 e 28 de maio e 13 de junho e foram intercaladas de outros encontros no nível técnico.
“Esse esforço atende à determinação emanada do encontro dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 7 de maio, de encontrar solução negociada para o comércio bilateral”, diz a nota.
Na reunião ocorrida hoje, os representante de Brasil e EUA debateram as Relações Econômico-Comerciais entre os países. Além disso, também debateram os seis temas citados nas investigações da Seção 301: comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.
Brasil se defende de acusações
Nesta quarta-feira (1), o Ministério das Relações Exteriores encaminhou a resposta oficial do governo federal à investigação do USTR contra supostas práticas desleais por parte do Brasil.
No documento, o governo argumenta que as conclusões dos EUA não demonstram que as políticas brasileiras sejam discriminatórias ou prejudiquem o comércio norte-americano. Desse modo, pede que não seja aplicada a tarifa de 25% proposta no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
O governo afirma que a investigação extrapola os limites do dispositivo legal, e sustenta que o USTR não provou que as políticas brasileiras sejam “irracionais”, “discriminatórias” ou que imponham prejuízo concreto ao comércio dos EUA.
Ademais, o Itamaraty defende que disputas dessa natureza deveriam ser resolvidas através da OMC (Organização Mundial do Comércio), e não por medidas unilaterais.

