A criação de vagas de trabalho nos Estados Unidos desacelerou mais do que o esperado em junho, enquanto os dados do mês anterior foram revisados para baixo. Apesar disso, a taxa de desemprego recuou para 4,2%, indicando relativa estabilidade no mercado de trabalho americano.
Em entrevista ao CNN Money, a coordenadora de alocação da Avenue, Juliana Benvenuto, afirmou que o resultado mais fraco do mercado de trabalho reduz parte da pressão sobre a economia, mas os desafios permanecem.
“A gente ainda tem uma inflação pressionada, bem acima da meta do Fed (Federal Reserve)”, afirmou. Ela explicou que o alívio das tensões entre Estados Unidos e Irã ajudou a reduzir parte da pressão inflacionária, embora o cenário ainda esteja longe de uma normalização.
Juliana destacou que o acordo entre os dois países ainda não está consolidado e que persistem divergências relevantes. “Nada impede que amanhã ou daqui a uma semana o conflito volte a escalar”, alertou.
Nesse contexto, a inflação cheia — que inclui itens mais voláteis, como energia e alimentos — tende a desacelerar caso os preços do petróleo continuem em queda. Já a inflação núcleo, que exclui esses componentes, pode seguir pressionada devido ao repasse dos custos de energia para a cadeia produtiva, permanecendo acima da meta do Federal Reserve nos próximos meses.
Diante desse cenário, o Fed enfrenta um dilema. Como seu mandato contempla tanto a estabilidade dos preços quanto o pleno emprego, o payroll abaixo do esperado aumenta a atenção sobre o mercado de trabalho, mas ainda não configura um sinal de deterioração significativa, já que a economia continua gerando vagas.
“Não descartamos ainda a possibilidade de alta dos juros; tudo vai depender dessa inflação dos próximos meses”, afirmou Benvenuto. Segundo ela, os próximos indicadores de inflação serão decisivos para orientar os comunicados e as futuras decisões da autoridade monetária.
Ao comparar o payroll com o relatório ADP, que mostrou a criação de 98 mil vagas no setor privado em junho, a especialista classificou o momento atual como uma dinâmica de “low hire, low fire”, marcada por poucas contratações e poucas demissões. Ela observou que a queda da taxa de desemprego ocorreu, em parte, porque parte da população deixou de procurar trabalho, e não necessariamente por um fortalecimento da demanda por mão de obra.
Enquanto o setor de saúde ampliou as contratações, segmentos como hotelaria e lazer registraram perda de empregos, sinalizando um possível enfraquecimento do consumo das famílias. Ainda assim, a especialista ressaltou que o PIB americano mais recente veio acima das expectativas, reforçando a resiliência da economia dos Estados Unidos.

