Como transformar a agenda da transição energética em ganhos de competitividade e desenvolvimento regional? Essa foi uma das questões que orientaram o painel “Mineração sustentável: investimento, descarbonização e desenvolvimento regional“, realizado durante o CNN Talks | Nova Era da Mineração, promovido pela CNN Brasil no último dia 30 de junho.
Na abertura do debate, a jornalista Taís Herédia propôs uma reflexão sobre como a transição energética pode impulsionar a competitividade da mineração sem perder de vista seus impactos sobre os territórios. O encontro, aberto pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reuniu autoridades, especialistas e lideranças empresariais para discutir o papel do Brasil na nova geopolítica dos minerais estratégicos.
Entre os convidados do painel esteve Thiago Toscano, CEO da Itaminas. Com operações em Sarzedo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a mineradora produz minério de ferro e vem investindo em eficiência operacional, redução de emissões e produção de minério de maior teor.
Descarbonização e acesso a investimentos
Durante sua participação, Toscano defendeu que a agenda ambiental deixou de representar apenas um custo para as empresas do setor e passou a integrar sua estratégia de crescimento. Segundo ele, a Itaminas busca transformar questões historicamente tratadas como passivos ambientais e sociais em ativos capazes de ampliar a competitividade e atrair investimentos.
“Por muito tempo, a mineração tratou as questões ambientais e sociais como um passivo. Hoje buscamos transformá-las em ativos para o negócio.”
Essa estratégia passa tanto pela eletrificação da frota quanto pela produção de minério de maior teor, utilizado pela siderurgia para reduzir emissões ao longo da cadeia produtiva.
Na avaliação do executivo, essa transformação também mudou a forma como investidores e instituições financeiras avaliam projetos de mineração. Práticas voltadas à descarbonização, afirmou, passaram a influenciar o acesso ao crédito e as condições de financiamento.
“Instituições como Banco Mundial, IFC e Banco Interamericano oferecem melhores condições de financiamento para empresas que adotam práticas de descarbonização. Isso gera valor para o negócio.”
Para Toscano, esse movimento fortalece a posição da mineração brasileira nas discussões internacionais e amplia as oportunidades de acesso a capital para projetos que conciliam competitividade e redução de emissões.
Competitividade e desenvolvimento regional
Ao abordar os desafios do setor, Toscano afirmou que elevar a produtividade continua sendo essencial para enfrentar a volatilidade do mercado internacional e o aumento dos custos de energia, combustíveis e logística.
Para ele, esse esforço precisa ser acompanhado por uma aproximação maior entre as discussões globais sobre mineração e a realidade das comunidades que convivem diariamente com a atividade.
Como exemplo, o executivo relatou uma conversa que teve com uma moradora de Sarzedo. “Ela me perguntou se, com esse negócio de descarbonização, seria possível voltar a nadar no Parque Cachoeira de Sarzedo, como fazia quarenta anos atrás.”
Para Toscano, a pergunta resume um desafio importante: transformar um debate global em benefícios percebidos pela população.
“Os números são relevantes, mas as pessoas querem saber se a qualidade de vida delas vai melhorar. Precisamos conectar essa agenda global com a realidade local para que elas percebam os benefícios que a mineração pode trazer.”
Na avaliação do executivo, comunicar melhor essa relação também é fundamental para ampliar a compreensão sobre os impactos positivos da atividade mineral.
“Se falarmos de descarbonização sem conectar esse debate à realidade local, a percepção das pessoas não vai mudar.”
