A crise dos chips de memória RAM pode se agravar nos próximos meses, com projeções de aumento dos preços. Esses componentes são responsáveis pelo armazenamento temporário de dados em aplicativos, celulares e computadores, e sua escassez tende a impactar diretamente o consumidor final.
De acordo com Adriano Ponte, do Canal Tech, o problema tem origem em um pequeno componente presente em praticamente todos os dispositivos eletrônicos modernos — desde pentes de memória RAM e placas de vídeo até celulares e eletrodomésticos com conectividade.
“Ele está presente tanto na placa de vídeo, quanto na memória RAM, quanto no seu celular, quanto em inúmeras aplicações”, explicou Ponte durante participação na CNN Brasil.
O papel da inteligência artificial na escassez
O mesmo componente que serve ao armazenamento temporário de dados pode ser configurado de diferentes formas para atender às necessidades de alta velocidade da inteligência artificial.
Segundo Ponte, foi justamente a demanda dos grandes players de IA que acelerou o esgotamento dos estoques globais.
“Pela primeira vez existe um consumo excessivo da indústria, dos grandes players de IA em volta disso. Então acabou no mercado”, afirmou. As compras têm ocorrido em grande volume e velocidade, e, quando se anunciou o fim dos estoques, ainda havia uma reserva de seis meses — que já foi consumida.
A produção desses componentes está concentrada em poucos fornecedores globais: SK Hynix e Samsung, ambas sul-coreanas, e a americana Micron. Essa dependência de uma cadeia produtiva geograficamente concentrada, sobretudo na Ásia, torna a reposição dos estoques um processo lento e complexo.
Ponte destacou que repor o componente dentro de dispositivos de empresas como Apple, Samsung e Microsoft levará muitos meses. As previsões para normalização do mercado, que antes apontavam para 2027, já foram revisadas para 2028, e algumas análises chegam a mencionar 2030.
Empresas hesitam em expandir produção
Há ainda um fator adicional que pode prolongar a crise: o receio das fabricantes em repetir erros do passado. Em crises anteriores, a expansão acelerada de parques industriais resultou em prejuízos quando a demanda arrefeceu.
Desta vez, muitas empresas podem optar por não ampliar a produção na mesma proporção, o que poderia estender o período de escassez. Ponte também alertou que a arquitetura de chips usada atualmente pela IA pode mudar, tornando a demanda potencialmente temporária — mas sem garantias.
O que o consumidor pode fazer
Diante desse cenário, Ponte recomendou cautela na hora de adquirir novos dispositivos.
Modelos de gerações anteriores, como processadores Intel de 10ª ou 11ª geração, continuam funcionando perfeitamente bem e podem ser encontrados por preços mais acessíveis.
“Computadores que não são topo de linha continuam funcionando muito de um ano para o outro. Não há necessidade de você comprar o melhor”, disse.
Para quem cogita trocar de celular ou computador, a orientação é avaliar se a atualização é realmente necessária. “É o pior ano para isso”, concluiu Ponte.
Corrida da IA provoca escassez global de memória para eletrônicos

