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Onana e Camara: entenda como Bélgica e Senegal duelam até por identidades

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Onana e Camara: entenda como Bélgica e Senegal duelam até por identidades

A partida entre Bélgica e Senegal, válida pela fase de 16 avos de final da Copa do Mundo de 2026, coloca frente a frente duas seleções que compartilham histórias muito além do futebol.

O confronto eliminatório reúne jogadores que vivem realidades opostas quando o assunto é identidade nacional: enquanto Amadou Onana nasceu no Senegal, mas escolheu defender a Bélgica, Ilay Camara fez o caminho inverso, deixando as categorias de base belgas para representar o país de seu pai.

Os dois casos simbolizam a forte ligação histórica entre Bélgica e Senegal e ajudam a explicar por que o duelo desta quarta-feira ganha contornos ainda mais especiais.

Onana: belga em campo, senegalês no coração

Titular da seleção belga, Amadou Onana nunca escondeu o carinho pelo país onde nasceu. Em entrevista concedida antes do Mundial para a Fifa, o volante revelou que torcia para não enfrentar Senegal durante a Copa.

“Durante o sorteio, eu pensava: ‘Por favor, não me coloquem contra Senegal. Podia ser qualquer outro adversário’.”

A explicação é simples. Nascido em Dakar, Onana mantém uma relação intensa com o país africano. O idioma wolof foi sua primeira língua, toda a família segue vivendo na capital senegalesa — com exceção da mãe e dos irmãos, que moram em Bruxelas — e ele costuma visitar o país anualmente.

Segundo o jogador, Senegal é o lugar para onde vai “recarregar as energias”.

Apesar do vínculo afetivo, sua trajetória no futebol sempre esteve ligada à Bélgica. Onana passou por todas as categorias de base da seleção europeia até chegar ao time principal e afirma nunca ter recebido um convite da federação senegalesa.

“Eu nunca fui convocado por Senegal. Nunca”, revelou.

Ainda assim, o volante acompanha de perto o futebol do país natal. Ele diz assistir aos jogos da seleção sempre que possível, torce pelos Leões de Teranga desde criança, é fã da culinária senegalesa e atua como embaixador de uma academia de formação de jovens atletas em Tivaouane.

Na Copa, participou do empate por 1 a 1 com o Egito, entrou durante a vitória por 5 a 1 sobre a Nova Zelândia e ajudou a Bélgica a avançar ao mata-mata.

Camara fez o caminho inverso

Se Onana nasceu no Senegal e representa a Bélgica, Ilay Camara vive a situação oposta.

O lateral e ponta nasceu em Bonheiden, na Bélgica, filho de pai senegalês e mãe belga. Formado nas categorias de base do futebol belga, defendeu seleções juvenis do país antes de decidir mudar sua trajetória internacional.

Em março de 2025, recebeu sua primeira convocação para a seleção principal de Senegal. Poucos dias depois, a Fifa autorizou oficialmente a troca de associação esportiva, permitindo que passasse a defender os Leões de Teranga.

A estreia aconteceu em uma vitória por 2 a 0 sobre Togo, pelas Eliminatórias da Copa.

Atualmente jogador do Anderlecht, Camara chega ao Mundial como uma das opções da equipe senegalesa após uma rápida ascensão no futebol belga. Depois de passagens por RWDM e Standard Liège, retornou ao Anderlecht em 2025, onde assinou contrato até 2030.

Duelo que vai além do futebol

A presença de Onana e Camara ilustra uma realidade comum no futebol europeu e africano. Muitos atletas possuem dupla nacionalidade e precisam decidir qual seleção representar, levando em consideração fatores esportivos, familiares e culturais.

No caso deste confronto, as escolhas seguiram caminhos diferentes.

Onana optou pelo país onde construiu sua carreira esportiva, mas nunca deixou de cultivar suas raízes senegalesas. Camara, por sua vez, nasceu e foi desenvolvido no sistema belga, mas decidiu defender a terra de seu pai quando surgiu a oportunidade.

Agora, os dois estarão em lados opostos justamente no primeiro confronto eliminatório entre Bélgica e Senegal na história das Copas do Mundo. A bola rola a partir das 17h (de Brasília) no Estádio Lumen Field, em Seattle, nos Estados Unidos.

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