Os Estados Unidos surpreenderam ao dar seus primeiros passos na Copa do Mundo 2026. Da estreia com uma goleada e um ótimo desempenho contra o Paraguai até a disputa da fase 16-avos contra a Bósnia e Herzegovina, nesta quarta-feira (1º), o país quer ir além da sua melhor participação no Mundial.
Uma campanha considerada histórica seria a pedra fundamental para emplacar de vez a modalidade, que está em uma crescente na preferência do público, no país.
A melhor participação dos Estados Unidos em um Mundial foi em 2002, quando foi eliminado para a Alemanha nas quartas de final. Nas duas últimas edições, 2014 e 2022, caiu nas oitavas. E agora, pode ir ainda mais longe, na visão dos críticos.
A popularidade do “soccer”
Uma pesquisa recente da Ampera Analises aponta que o futebol – ainda chamado de soccer pelos norte-americanos – já ultrapassou o beisebol e se tornou o terceiro esporte na lista entre os favoritos dos fãs no país. O futebol americano ainda lidera com larga vantagem (36%), seguido pelo basquete (17%). O futebol soma 10% ante 9% do beisebol e 4% do hóquei no gelo.
Outro estudo, feito pela Nielsen, colocou o país como a quarta maior base de fãs de futebol em todo o mundo, com 62,5 milhões de torcedores, ou seja, 18% em um universo de quase 350 milhões de habitantes.
Em toda a América do Norte, o futebol deu um salto no número de torcedores de 10,9% entre maio de 2020 a 2025. Isso fez com que o país sinalizasse a intenção de sediar a Copa do Mundo de 2038, que pode ter até 64 seleções, e é a próxima que terá processo de licitação aberto pela Fifa.
“Quando você pensa que esta Copa do Mundo pode, em algum momento, se expandir para 64 equipes, acho que os Estados Unidos podem lidar com isso”, disse Andrew Giuliani, diretor executivo da Casa Branca para a Copa, à “Press Association”.
“Deixe-me garantir que passemos por esta Copa do Mundo em 19 de julho antes de apresentarmos nossa proposta para 2038 ou outras”, completou.
É só pela Copa?
A janela de crescimento dos números dá indícios de que o crescimento não se deve apenas a realização da Copa do Mundo no país. O Mundial ajuda no engajamento dos fãs, é claro, mas esse resultado também é composto por outros fatores.
As redes sociais, principalmente, os jogos de videogame, a democratização da transmissão de campeonatos de outros países via streaming e, é claro, a chegada de jogadores consagrados no cenário europeu aos times locais, mesmo que ainda sejam considerados de menor expressão, são os principais responsáveis pela mudança de percepção.
Críticas ao “soccer & business”
Ainda que este seja considerado um mercado em expansão e com muito potencial nos Estados Unidos, a forma como o país enxerga o esporte vem enfrentando críticas, especialmente pela transformação das competições em eventos com maior foco comercial.
Hoje, fundos e investidores bilionários com sede nos Estados Unidos têm participação nas administração dos grandes clubes, abrindo espaço para ações mais agressivas de marketing e dando importância ao entretenimento em detrimento da competitividade.
Assim, mesmo que não tenha um cenário competitivo dentro do país, os Estados Unidos se tornam um ativo valioso para as federações e confederações que gerem o esporte. Resta saber como serão os próximos passos dos norte-americanos nesse terreno ainda pouco explorado do futebol, dentro e fora de campo.
Estados Unidos demonstram interesse em sediar a Copa do Mundo de 2038

