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Aerogeofísica estava parada há uma década e ajuda em mapeamentos, diz SGB

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Aerogeofísica estava parada há uma década e ajuda em mapeamentos, diz SGB

O diretor-presidente do SGB (Serviço Geológico do Brasil), Vilmar Simões, afirmou nesta terça-feira (30) que a retomada de levantamentos de geofísica aérea ajuda o país a ampliar o conhecimento sobre o território e a reduzir riscos para novos investimentos em mineração.

A declaração foi feita durante o CNN Talks: Nova Era da Mineração, evento da CNN Brasil que discute os desafios e as oportunidades do setor mineral brasileiro em meio à corrida global por minerais críticos.

“Geofísica aérea estava parada no país há décadas. A partir de 2025, voltamos a utilizar esse método, aliado à geoquímica, e disponibilizar esses dados à sociedade”, disse Simões.

A geofísica aérea é uma técnica usada para coletar informações do subsolo a partir de sensores instalados em aeronaves. Esses levantamentos permitem identificar variações magnéticas, radiométricas e outras características geológicas que ajudam a indicar áreas com maior potencial mineral.

Na prática, os dados funcionam como uma camada inicial de conhecimento para orientar pesquisas minerais. Eles não substituem sondagens ou estudos mais detalhados feitos pelas empresas, mas ajudam a indicar regiões promissoras, reduzir incertezas e tornar a decisão de investimento mais segura.

Segundo Simões, a ideia do SGB é avançar na produção de dados geológicos, geofísicos e geoquímicos de caráter pré-competitivo. Esse tipo de informação é produzido pelo Estado e disponibilizado ao mercado, universidades, governos e sociedade, antes da etapa de competição entre empresas por projetos específicos.

A lógica é que, quanto melhor o conhecimento geológico de uma região, menor tende a ser o risco exploratório para mineradoras e investidores.

Em um setor que exige capital intensivo, longos prazos de maturação e alto grau de incerteza antes da descoberta de uma jazida economicamente viável, dados públicos podem ajudar a atrair novos projetos.

O tema é considerado estratégico pelo governo porque o Brasil ainda tem lacunas relevantes de conhecimento geológico.

É comum ouvir de autoridades públicas, inclusive do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que apenas cerca de 30% do território nacional está mapeado na escala 1:100.000, considerada uma das mais adequadas para avaliação de potencial mineral e atração de investimentos.

Esse dado, embora correto do ponto de vista técnico, exige uma leitura mais detalhada. A conta inclui áreas como grandes bacias sedimentares, onde a probabilidade de ocorrência de depósitos minerais metálicos economicamente relevantes costuma ser menor.

Quando a análise se concentra apenas no embasamento cristalino, domínio geológico que concentra grande parte das províncias minerais do país, o cenário muda. Nesse recorte, a cobertura de mapeamento na escala adequada sobe para cerca de 45% do território.

Em regiões com tradição mineral consolidada, o nível de conhecimento geológico é ainda maior. Em Minas Gerais, estado que concentra algumas das maiores reservas minerais do país, grande parte do território já foi levantada na escala 1:100.000.

No Quadrilátero Ferrífero, uma das províncias minerais mais tradicionais do mundo, o nível de detalhamento é ainda mais avançado.

A região já conta com praticamente 100% de cobertura na escala 1:100.000 e, em algumas áreas, levantamentos em escalas mais detalhadas, como 1:25.000, utilizadas para estudos geológicos de alta precisão.

Para o setor mineral, a ampliação desses levantamentos tem impacto direto sobre a competitividade. Países com bases geológicas mais completas tendem a oferecer mais previsibilidade a investidores, especialmente em cadeias de minerais críticos, usados em baterias, energia renovável, fertilizantes, defesa, semicondutores e equipamentos de alta tecnologia.

A retomada da geofísica aérea também se conecta à tentativa do Brasil de transformar sua vantagem geológica em novos projetos, maior agregação de valor e presença mais relevante nas cadeias globais de suprimento mineral.

O CNN Talks: Nova Era da Mineração reúne autoridades, empresários, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir os caminhos da mineração brasileira em uma nova fase de disputa global por minerais críticos, transição energética e segurança das cadeias de suprimento.

O encontro ocorre em um momento em que o Brasil tenta transformar sua vantagem geológica em protagonismo econômico, industrial e diplomático, com debates sobre financiamento, licenciamento ambiental, inovação, sustentabilidade, rastreabilidade, agregação de valor e maior participação do país nas etapas mais nobres da cadeia mineral.

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