O governo de Donald Trump vive um momento histórico ao testar e tentar expandir os limites do poder do Executivo nos Estados Unidos. A avaliação é de Christopher Garman, diretor-executivo da Eurasia Group, em entrevista ao WW.
Suprema Corte e o Federal Reserve
Garman explicou que a Suprema Corte já vinha sinalizando, de forma consistente, que enxerga o Fed (Federal Reserve) como uma instituição distinta das demais agências governamentais.
“A Suprema Corte já vinha sinalizando que eles enxergam a instituição do banco central americano, o Federal Reserve, como distinta de outras agências, que eles têm um papel especial, dado a sua independência”, afirmou. Por isso, segundo ele, a decisão que protege o Fed de interferências do governo Trump não veio como uma grande surpresa.
Por outro lado, Garman destacou que ainda existe uma linha conservadora na Corte que é parcialmente simpática à expansão do poder Executivo. No entanto, essa mesma Corte impôs restrições em outros temas, como no uso de instrumentos para aplicar tarifas sem a anuência do Congresso americano.
O analista ressaltou que o cenário é de avanços e recuos para o governo Trump nas disputas institucionais.
Fed está longe de estar “salvo”
A âncora da CNN Thais Herédia ponderou que, apesar da proteção jurídica, o Federal Reserve está longe de estar completamente a salvo. “O que está acontecendo é o enfraquecimento institucional dos Estados Unidos. Então, tudo bem que o Fed vira uma ilha, mas a ilha sozinha não tem sustentação”, disse ela.
Na avaliação de Herédia, a intensa pressão política sobre o banco central pode, por si só, colocar em xeque a credibilidade da instituição.
A âncora argumentou que o melhor trabalho de um banco central depende da confiança dos agentes econômicos para guiar expectativas sobre inflação e o futuro da economia. Ela destacou ainda que o Fed acaba de passar por uma troca de presidência com um dirigente que pretende fazer mudanças radicais na comunicação da instituição com o mercado.
“Eu acho que está longe de estar salvo, se transformando numa ilha diante de um ataque de Trump às instituições”, concluiu.

