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Apenas 18,5% dos recursos do Plano Safra terão subsídio do governo

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Apenas 18,5% dos recursos do Plano Safra terão subsídio do governo

O governo destinou R$ 97 bilhões em recursos equalizáveis para o Plano Safra empresarial 2026/27, montante de crédito rural que contará com a subvenção do Tesouro Nacional para reduzir o custo dos financiamentos aos produtores.

O valor corresponde a cerca de 18,5% dos R$ 525,1 bilhões anunciados para o programa e representa uma redução em relação aos R$ 113,7 bilhões inicialmente previstos para equalização no Plano Safra 2025/26.

Ao longo da última temporada, porém, esse volume foi remanejado e encerrado em R$ 91,3 bilhões, patamar inferior ao anunciado no lançamento.

O novo valor subsidiado não significa que o Tesouro gastará R$ 97 bilhões ou que esse percentual corresponde ao gasto fiscal.

O desembolso efetivo do governo com a subvenção é bem menor e depende da diferença entre a taxa de mercado e a taxa cobrada do produtor ao longo da vigência dos contratos, que dependerão do detalhamento do Plano, que deve ser publicado amanhã (1), data de vigência dos valores do programa para 2026/27.

Volume de Recursos Equalizáveis

  • 2020/21: Cerca de R$ 45 bilhões
  • 2021/22: Cerca de R$ 53 bilhões
  • 2022/23: Cerca de R$ 60 bilhões
  • 2023/24: Cerca de R$ 82,3 bilhões
  • 2024/25: Cerca de R$ 92 bilhões
  • 2025/26: R$ 113,8 bilhões
  • 2026/27: R$ 97 bilhões (queda de 14,7% em relação ao ano anterior)

De acordo com Cogo, “a promessa ficou pela metade“. De um lado, o argumento do governo foi de que o corte de aproximadamente 1,5 ponto percentual – acima, inclusive, à queda observada na própria taxa Selic durante o período – foi o que possível dentro de um quadro de aperto fiscal.

Ao CNN Agro News, o secretário de política agrícola, Guilherme Campos, afirmou que os eventos externos, como a Guerra no Oriente Médio que impõe novos custos ao agro, e a urgência na renegociação de dívidas exigiram distribuição de recursos federais, impactando parte do montante é comprometida com essas operações.

Ele explicou que esse movimento influencia a disponibilidade de recursos para novas contratações dentro das condições do plano.

Por outro lado, especialistas concordam com a tecnicidade do argumento, mas ainda ressaltam que a previsão de juro de um dígito não foi cumprida. Ao longo dos últimos meses, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, havia destacado sua expectativa de “entregar” um programa de financiamento com juro de um dígito, por exemplo.

De acordo com Carlos Cogo, sócio da Cogo Inteligência de Mercado, operações de investimento com prazo entre oito e dez anos, serão bastante impactadas.

Mesmo com diferenças aparentemente pequenas nas taxas de juros produzem impactos relevantes sobre o custo total do financiamento, em especial para sistemas de irrigação, renovação da frota de tratores, construção de armazéns, agricultura de precisão e ampliação de instalações pecuárias.

Com isso, as operações continuam sujeitas a custos altos diante de margens comprimidas e produtores com menor apetite para investimentos, ainda em um momento de renegociação de dívidas.

Em contrapartida, Cogo frisa que a redução das taxas de juros representa o principal avanço do Plano Safra 2026/2027 e deve ser reconhecida “como um esforço relevante do governo em um ambiente fiscal adverso”, ainda que insuficiente para mudar estruturalmente o custo do crédito para investimentos.

A maior parte das linhas estratégicas continua operando acima de 10% ao ano, especialmente aquelas voltadas à mecanização, irrigação, inovação tecnológica e fortalecimento das cooperativas.

“Isso significa que muitos investimentos continuarão sendo postergados ou redimensionados, sobretudo entre produtores que dependem fortemente do crédito rural para modernizar suas propriedades”, sublinha o especialista.

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