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Vários setores da economia ainda carecem de mão de obra, diz pesquisadora

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Vários setores da economia ainda carecem de mão de obra, diz pesquisadora

O crescimento da produtividade no Brasil segue em um patamar baixo. No primeiro trimestre deste ano, a produtividade medida pelas horas efetivamente trabalhadas recuou 0,5% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, do FGV Ibre.

Na contramão, a produtividade por horas habituais avançou 0,5%, enquanto a produtividade da população ocupada registrou alta de 0,4%. Apesar desses resultados positivos, especialistas avaliam que o quadro geral continua preocupante.

Em entrevista ao CNN Money, a pesquisadora do FGV Ibre, Silvia Matos, afirma que os dados evidenciam um problema estrutural da economia brasileira. Segundo ela, produtividade representa o valor agregado a cada hora trabalhada e é um dos principais motores do crescimento econômico.

No entanto, o país tem expandido sua atividade econômica com base no uso intensivo da mão de obra, sem que isso resulte em ganhos proporcionais de produtividade.

“Desde dois anos atrás, nós temos um crescimento econômico muito baseado no uso intensivo de mão de obra e pouco retorno desse fator trabalho, o que é ruim para o crescimento sustentável”, afirmou.

De acordo com a pesquisadora, a taxa de desemprego em níveis historicamente baixos reforça esse diagnóstico. Considerando o ajuste sazonal, a produtividade por horas efetivamente trabalhadas ficou praticamente estável, com alta de apenas 0,1% em relação ao trimestre anterior.

Silvia Matos também comentou a proposta de redução da jornada de trabalho por meio do fim da escala 6×1. Para ela, o debate precisa considerar as diferenças entre setores como agropecuária, indústria e serviços, que possuem dinâmicas de trabalho distintas.

“Toda discussão do ponto de vista de relação trabalhista deveria ser de acordo com os trabalhadores e o próprio setor”, defendeu.

Na avaliação da pesquisadora, uma redução da jornada implementada de forma acelerada, em um cenário de baixa produtividade, pode aumentar os custos das empresas, principalmente nos segmentos mais intensivos em mão de obra, como comércio e transporte, que precisariam contratar mais trabalhadores para manter o mesmo nível de serviços.

“Se nós tivermos um ambiente de demanda elevada, vai virar mais inflação. Mas tem um risco de um crescimento mais difícil”, alertou. Ela acrescentou que, em um contexto de desaceleração econômica, a medida também poderia resultar em aumento do desemprego ou da informalidade.

Ao analisar as causas da baixa produtividade brasileira, Silvia Matos apontou dois grupos principais de entraves. O primeiro está relacionado ao capital humano e à gestão das empresas. Segundo ela, o país enfrenta um atraso educacional significativo e apresenta baixa qualidade na gestão empresarial quando comparado a outras economias.

“Nós temos questões relacionadas a baixo capital humano e também uma qualidade da gestão muito ruim”, afirmou, citando estudos do Banco Mundial.

O segundo grupo de fatores envolve o ambiente de negócios. Na avaliação da pesquisadora, diversas políticas públicas contribuem para uma má alocação de recursos e reduzem a competitividade da economia, dificultando os ganhos de produtividade.

“O ambiente como um todo tem que ser favorável para a produtividade”, ressaltou.

Silvia Matos lamentou que, embora o diagnóstico técnico sobre o problema esteja consolidado entre pesquisadores, o tema ainda receba pouca atenção no debate político, o que dificulta o avanço de reformas estruturais voltadas ao aumento da produtividade e ao crescimento sustentável do país.

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