O fim da partida entre Brasil e Japão, nesta segunda-feira (29), provocou uma forte retomada do consumo de energia no país. Em pouco mais de duas horas após o apito final, a demanda por eletricidade aumentou mais de 25 GW, justamente no momento em que cerca de 50 GW de geração solar deixavam gradualmente o sistema com o avanço do pôr do sol.
Essa rampa de 25 GW é o equivalente a potência das usinas de Itaipu e Belo Monte juntas. Durante o jogo, iniciado às 14h, o consumo de energia caiu para níveis próximos aos registrados por volta das 6h da manhã. O comportamento refletiu a paralisação de parte das atividades econômicas e domésticas enquanto milhões de brasileiros acompanhavam a partida da seleção. No intervalo, houve uma elevação temporária da demanda, seguida de nova queda durante o segundo tempo.
Com o encerramento do jogo, às 16h, o cenário mudou rapidamente. A retomada simultânea das atividades fez a demanda por eletricidade saltar de aproximadamente 66,7 GW para cerca de 91,8 GW até o início da noite.
Ao mesmo tempo, a geração fotovoltaica diminuía rapidamente com o pôr do sol. Ao longo da tarde, cerca de 50 GW de geração solar deixaram o sistema, exigindo que outras fontes, como hidrelétricas e termelétricas, assumissem o atendimento ao aumento do consumo em um curto espaço de tempo.
Mais cedo, durante a partida, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) confirmou ter restringido cerca de 20 GW de geração renovável. A medida foi necessária devido à elevada geração distribuída e ao consumo excepcionalmente baixo registrado durante o jogo. O objetivo foi preservar a estabilidade do SIN (Sistema Interligado Nacional) e garantir a continuidade do fornecimento de energia.
O confronto terminou com o Brasil vencendo por 2 a 1 a seleção do Japão e foi disputado em um horário considerado especialmente desafiador para a operação do sistema elétrico. Diferentemente dos jogos anteriores da Copa do Mundo, realizados à noite, a partida ocorreu em pleno período de máxima geração solar. Com isso, a retomada do consumo coincidiu com a rápida redução da produção fotovoltaica, tornando a operação do sistema mais complexa.
