O órgão regulador de mídia do Paquistão suspendeu, no sábado (27), a licença de transmissão do canal de televisão Geo News por 15 dias devido a conteúdo exibido durante um programa que marcava o Muharram, um dos períodos mais sensíveis do calendário islâmico.
O órgão regulador afirmou que a Geo News exibiu “representações visuais de natureza religiosa” durante um programa na sexta-feira (26) que poderiam “ofender sentimentos religiosos, comprometer a harmonia religiosa e perturbar a ordem pública”.
A Geo News, um dos maiores canais de televisão privados do Paquistão, emitiu um comunicado neste domingo (28) informando que o material havia sido exibido por engano e que o conteúdo em questão fora removido de todas as suas plataformas.
A emissora declarou que as imagens mostravam rituais praticados por algumas pessoas no Iraque e no Oriente Médio e que o objetivo era mostrar costumes locais, não endossar qualquer visão religiosa.
Em Islamabad, moradores expressaram indignação com a transmissão.
O morador Imran Khan disse que o governo deveria prender os responsáveis e impor uma pena mínima de três anos, além de uma multa pesada, alertando todos os canais para que não repetissem tal blasfêmia.
Outro morador, Mohammad Zia, defendeu uma suspensão mínima de seis meses para dissuadir outros veículos de tentarem exibir conteúdo semelhante.
Representações do Profeta Maomé e de outras figuras islâmicas reverenciadas são um tema extremamente sensível no Paquistão, onde protestos em massa já eclodiram devido a charges publicadas em países ocidentais.
Disputas religiosas podem rapidamente provocar revolta pública no país de maioria muçulmana, onde as autoridades impõem medidas de segurança reforçadas durante as celebrações do Muharram.
O órgão regulador de mídia do Paquistão afirmou que a Geo falhou em exercer cautela editorial e determinou a realização de uma investigação interna. O caso também foi encaminhado ao Conselho de Reclamações do órgão regulador.
O Paquistão tem enfrentado críticas persistentes em relação à liberdade de imprensa, com canais de televisão sofrendo periodicamente ações regulatórias, suspensões e restrições de transmissão.
A organização Repórteres Sem Fronteiras classificou o Paquistão na 153ª posição entre 180 países em seu Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2026.

