A pesquisa “Retrato da Solidariedade: Comportamento pró-social no Brasil”, feita pelo Instituto Pensi, mapeou o nível de solidariedade dos brasileiros e para quais causas são mais propensos a doar. A edição de 2025 chega para o público em julho, mas a CNN Brasil recebeu com exclusividade uma prévia do estudo.
Flávio Pinheiro, pesquisador principal do Departamento de Pesquisa em Ciências Sociais e Filantropia do Instituto Pensi e coordenador da pesquisa, apontou em entrevista para a CNN Brasil que um dado interessante foi o aumento de doações em 2024, em razão das enchentes no Rio Grande do Sul, enquanto no ano seguinte os dados mostram uma retração, por uma possível acomodação das pessoas.
“E um ponto que nos chamou a atenção foi que, na região Sul, ao contrário do restante do país, o número de doadores recorrentes cresceu em 2025”, acrescenta pesquisador e explica que uma das hipóteses é a proximidade com uma tragédia e a experiência de ajuda possam ter criado um vínculo maior entre a população e as organizações que recebem os donativos.
O comparativo mostra uma queda de 3%, de 58% para 55%, na quantidade de brasileiros que disseram ter feito doações, sejam financeiras (recuo de 2 pontos), de bens (3 pontos) ou voluntariado (1 ponto). Por outro lado, as contribuições para causas religiosas aumentaram, passando de 29% para 32%. O levantamento aconteceu com mais 2.500 pessoas em 120 municípios espalhados por todas as regiões do país.
Outro ponto que chama atenção é sobre o meio ambiente, com uma nova seção sobre as percepções climáticas da população. Segundo o levantamento, mais de 92% acreditam que o clima do mundo está mudando e, de 8 a cada 10 pessoas que se mostram preocupadas com isso, apenas 2% fazem doações para organizações que trabalham com proteção do meio ambiente.
O Retrato da Solidariedade tem como objetivo oferecer dados confiáveis e mais robustos sobre como a dinâmica de doações se manifesta no país, gerando conhecimento científico e ofertando para o terceiro setor informações. Analisando dados anualmente, é possível “acompanhar mudanças ao longo do tempo, detectando tendências, entendendo o impacto de eventos”, explica Flávio.

