O caso Banco Master trouxe uma novidade significativa ao cenário político e institucional brasileiro: o Supremo Tribunal Federal (STF) não atua mais como árbitro externo das crises, mas está, desta vez, no centro delas. A avaliação é de Creomar de Souza, especialista em análise política, ao WW.
Segundo Creomar, em crises anteriores — oriundas de má gestão ou de ilicitudes — o STF (Supremo Tribunal Federal) costumava ser acionado apenas como instância final, mantendo-se distante das articulações iniciais. “Ao longo dos últimos anos, essas crises ficavam do lado de fora do STF e ele virava um árbitro final”, afirmou o especialista. No caso Master, no entanto, a Suprema Corte passou a participar ativamente das decisões e negociações que envolvem o episódio.
Normalização de decisões ruins como risco institucional
Para Creomar, o maior risco político no curto prazo não é a existência da crise em si, mas a naturalização de ações e decisões inadequadas que a originam ou que buscam resolvê-la de forma insuficiente. “O risco está na normalização e na naturalização de todo tipo de ação ou decisão ruim que ocasiona uma crise”, disse.
Creomar destacou ainda que o ambiente político brasileiro está “povoado por atores políticos que efetivamente estão tratando com normalidade os efeitos negativos de aspectos de má gestão ou de diálogo institucional mal realizado”. Para o especialista, essa postura contribui para distorcer a percepção da gravidade da crise tanto para o eleitor quanto para o cidadão comum.
Complexidade e risco elevado no horizonte
O especialista também apontou que os desdobramentos do caso envolvem múltiplas dimensões: impactos orçamentários, efeitos sobre a composição política do Congresso, conflitos internos ao STF e as condições da PGR (Procuradoria-Geral da República) para avaliar o andamento das investigações. “A gente tem uma complexidade muito grande e um risco precificado que é bastante alto olhando o futuro no curto prazo”, concluiu Creomar de Souza.

