A costa norte da Venezuela foi atingida, na noite de quarta-feira (24), por dois dos maiores terremotos a afetar o país em mais de um século. A presidente interina, Delcy Rodríguez, informou nesta quinta-feira (25) que 164 pessoas morreram e 971 ficaram feridas. Autoridades alertaram que o número de vítimas deve aumentar.
Segundo o USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos), um dos abalos de quarta-feira foi o maior a atingir a Venezuela em mais de um século.
O maior tremor já registrado no país ocorreu em 1900, quando um terremoto de magnitude 7,7 atingiu a costa norte venezuelana, perto da capital, Caracas. O epicentro daquele evento ficou a apenas algumas centenas de quilômetros do epicentro do tremor de quarta-feira.
Veja na galeria de imagens acima e ao longo do texto as imagens do rastro de destruição deixado pelo país.
Imagens de vídeo mostraram equipes de emergência atuando para encontrar sobreviventes entre os escombros de um prédio que desabou na capital, ao cair da noite, enquanto familiares buscavam ajuda para seus entes queridos que se acreditava estarem presos. Vários sobreviventes atordoados foram retirados do local, alguns em macas.
“Quando descemos as escadas, a cena parecia um filme de terror”, disse Maria Alejandra, moradora de um prédio próximo, que não revelou seu sobrenome. “Tivemos que escalar os escombros e tudo mais. O zelador do prédio com o bebê e todos os vizinhos desceram. Mas daquele prédio, só vi aquela família conseguir sair.”

Um site criado para rastrear pessoas desaparecidas e divulgado no X por líderes da oposição do país — muitos dos quais estão no exterior — listava mais de 6.600 pessoas como desaparecidas logo após as 2h da manhã, horário local.
Muitos venezuelanos estavam em casa quando os terremotos ocorreram durante o início da noite de um feriado.
“Houve um estrondo muito alto. Coisas caíram na casa, jarros dentro da geladeira. Nunca passei por nada parecido”, disse Coro Martinez, 56, que mora na zona leste de Caracas.
Moradores correm para as ruas
Wilmer Azuaje, ex-deputado venezuelano, registrou o momento em que o terremoto atingiu o Aeroporto de Maiquetía, fazendo com que pedaços de alvenaria e nuvens de poeira caíssem.
“Pessoal, a situação que estamos vivendo aqui é grave. Um terremoto de alta magnitude. Vejam como tudo ficou”, disse ele enquanto filmava a cena.
Um alerta de tsunami, mas rapidamente cancelado depois que o perigo passou. Moradores de toda a cidade de Caracas, que também foi atingida por um terremoto mortal de magnitude 6,3 em 1967, correram para fugir dos edifícios enquanto os prédios tremiam.
Maria Romero, uma aposentada de 80 anos na zona sul de Caracas, disse que a polícia a ajudou a sair de casa. “Este terremoto foi horrível, ainda pior do que o de 1967”, disse ela.
Outra moradora, uma funcionária de escritório de 41 anos que preferiu não se identificar, disse que recebeu um alerta de terremoto no celular pouco antes do tremor se intensificar.
“Quando peguei o celular e comecei a ouvir o que dizia, senti primeiro um leve tremor. Então, em menos de dois segundos, tudo começou a se mover.”

Líderes de países como El Salvador, República Dominicana, Brasil e Espanha ofereceram apoio e solidariedade, enquanto o Departamento de Estado dos EUA informou que estava em contato com as autoridades venezuelanas e mobilizando ajuda.
Em nota publicada na noite de quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que até o momento não foram identificados brasileiros entre as vítimas.
“O Brasil expressa solidariedade ao governo e ao povo da Venezuela e deseja pronta recuperação aos feridos”, acrescentou o Itamaraty.
A Venezuela fica em uma zona sismicamente ativa, onde a Placa do Caribe se encontra com a Placa Sul-Americana.
Estima-se que 30 mil pessoas tenham morrido quando um forte terremoto causou destruição generalizada nas cidades de Mérida e Caracas em 1812, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Hospitais se preparam para receber feridos
No Hospital de Clínicas de Caracas, os prestadores foram solicitados a trabalhar em turnos duplos durante a noite para ajudar no atendimento aos feridos, disse um funcionário do local.
As aulas foram canceladas pelo resto da semana, enquanto as autoridades começavam a avaliar os danos.
A infraestrutura petrolífera da Venezuela não pareceu ter sido afetada imediatamente pelos tremores. As autoridades de proteção civil em Maracaibo, perto do grande polo petrolífero do Lago Maracaibo, informaram que não houve registros de feridos, e um funcionário da refinaria El Palito, perto de Morón — o epicentro do terremoto —, disse que não houve danos no local.
A petrolífera britânica Shell, que está avaliando o desenvolvimento de campos de gás na Venezuela, informou que todos os seus funcionários no país foram localizados e não há feridos.
Uma fonte observou que uma interrupção prolongada no fornecimento de energia elétrica poderia afetar os níveis de produção de petróleo bruto até que o serviço seja restabelecido.
O Ministério do Petróleo da Venezuela, a petrolífera estatal PDVSA e sua principal parceira estrangeira, a Chevron , não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.


