Moradores de Caracas, capital da Venezuela, sentiram os impactos dos terremotos de quarta-feira (24), embora os epicentros estivessem localizados a cerca de 160 quilômetros a oeste da cidade.
Stephen Hicks, pesquisador e professor de sismologia ambiental do University College London, explicou que isso provavelmente aconteceu devido à direção em que o tremor se propagou a partir de seu ponto de origem.
“Quando uma ruptura sísmica se propaga em direção a uma área povoada, a energia sísmica pode se concentrar nessa direção, produzindo movimentos do solo mais intensos do que ocorreriam em outras circunstâncias”, disse Hicks ao Science Media Centre.
“Este foi o caso em Caracas, que estava na ‘linha de fogo’ da ruptura sísmica que se estendia para o leste, e o tremor também pode ter sido amplificado pelos profundos depósitos sedimentares sob partes do vale de Caracas”, acrescentou.
Karen Lythgoe, pesquisadora independente do Conselho de Pesquisa do Ambiente Natural da Universidade de Edimburgo, observou que a ruptura sísmica se estendeu para o leste em direção a Caracas e provavelmente parou pouco antes de atingir a cidade.
“Isso explica por que o tremor é tão intenso em Caracas (todas as ondas sísmicas estão concentradas na direção da ruptura sísmica)”, disse ela ao Science Media Centre.
Caracas registra ao menos 25 mortes
Ao menos 164 pessoas morreram e 971 ficaram feridas após os terremotos na Venezuela em mais de um século, segundo a presidente interina do país, Delcy Rodríguez.
A capital Caracas registrou ao menos 25 mortes, de acordo com a prefeita Carmen Meléndez. Esse número já está representado na quantidade total de vítimas.
Meléndez afirmou que as equipes de resgate continuam vasculhando os escombros em busca de pessoas desaparecidas.

