As investigações que levaram à prisão do vereador Senival Moura (PT) em uma operação contra o PCC (Primeiro Comando da Capital) na manhã desta quinta-feira (25) revelaram uma carta que mostra possíveis conexões do político com a facção por meio de uma empresa de transporte coletivo de São Paulo.
O documento é identificado como um “Salve”, uma ordem manuscrita do PCC, que foi apreendido na residência de Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”.
Desvio de R$ 15 milhões
A carta detalha um rombo financeiro de R$ 15 milhões na chamada “garagem”. Segundo o manuscrito, o valor deveria ter sido destinado às remissões — pagamentos a acionistas e operadores — mas teria sido desviado.

Segundo o inquérito da Polícia Civil, o “Finado” (Adauto Soares Jorge) teria relatado antes de morrer que sua atuação se limitava a cumprir ordens de “Veio” e “Cabeça Branca”, nomes que a polícia identificou como sendo, respectivamente, o vereador Senival Moura (PT) e o diretor Leonel Moreira Martins.
A facção afirma no manuscrito que “todos eles faziam parte dos desvios que vinham acontecendo na empresa”.

Vereador era elo entre política, transporte público e PCC, diz polícia
Vereador e o comando da empresa
As investigações apontam que Senival Moura, embora não esteja no quadro societário da companhia, era quem controlava ações na Transunião. Ele tinha ingerência direta sobre a frota e a alocação de recursos.
Mensagens extraídas de celulares apreendidos mostram diretores que submetiam pagamentos à autorização do “vereador”, do “veio” ou do “presidente”.
“Laranjas” e ligação com PCC: entenda operação que prendeu vereador em SP
De acordo com o inquérito, o Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro identificou que o vereador movimentou mais de R$ 8,7 milhões entre 2019 e 2022, sendo que 2,4 milhões não tinham origem declarada.
“Limpeza” e a morte de Adauto
A carta do PCC também menciona que uma “limpeza” seria realizada na empresa para afastar “pessoas de má-fé”. Segundo o texto, certos indivíduos seriam “convidados a se retirar” devido a cobranças da “população da rua”.

Para os investigadores, o assassinato de Adauto, em março de 2020, teria sido um ato de “reafirmação de controle”.
A partir das evidências, a Polícia Civil representou pelo afastamento cautelar de toda diretoria da Transunião. A autoridade policial também notificou a prefreitura, via SPTrans, para que avalei uma intervenção no contrato de concessão, visando garantir a continuidade do serviço público sem a influência do crime.
Apesar das prisões e do afastamento da diretoria da concessionária, a Prefeitura de São Paulo informou que a operação das linhas administradas pela Transunião segue normal, sem impacto para os passageiros atendidos pela empresa.
Em nota, a Prefeitura informou que a operação dos ônibus da empresa segue funcionando, com a frota atendendo normalmente as linhas sob sua responsabilidade e sem prejuízo ao atendimento da população.
Já o prefeito Ricardo Nunes disse por meio de comunicado enviado que as medidas cabíveis em relação à empresa serão tomadas assim que a administração for notificada pelos órgãos competentes
Além disso, ressaltou que aguarda a notificação oficial da decisão judicial para avaliar seus termos e definir as providências necessárias a partir de agora.
A CNN Brasil tenta contato com as defesas dos citados e da Transunião. O espaço segue aberto.

