Um estudante brasileiro viu pelo menos dois prédios desabarem enquanto estava caminhando em Caracas, na Venezuela, para ver a partida da seleção brasileira pela Copa do Mundo, com amigos, na noite desta quarta-feira (24), quando dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram o país.
“Eu estava indo em direção ao Jogo do Brasil, na rua caminhando, quando eu começo a sentir uma vertigem, dou um passo para trás, um passo para frente, a rua começa a ficar ondulada, e logo um prédio desaba, vem toda aquela poeira na minha cara. Minha reação inicial foi sair correndo. Outro prédio cai na minha frente. O primeiro tinha uns 15 andares, o outro era um pouco menor, 7 andares, ou menos. E eu não estava entendendo o que estava acontecendo”, relata Mateus Mascarenhas à CNN Brasil.
Mascarenhas está na Venezuela para um estágio da ONU (Organização das Nações Unidas). O brasileiro conta que, após cerca de uma hora, conseguiu conversar com familiares e amigos.
“Depois de uma hora, eu ter contatado minha família, meus amigos, todo mundo conversado, vendo que estavam bem, todos estão bem, e sabem que eu também estou, eu comecei a pensar, nossa, que coisa estranha, sabe aquela sensação de, quando você passa por uma situação traumática e você, às vezes, parece que é mentira, uma invenção da sua cabeça”, relata.
Quando eu vi o prédio derrubado e o corpo de bombeiros tentando cavar os escombros, haviam pelo menos três mulheres chorando e tentando entrar nos escombros e pessoas saindo de macas improvisadas, todas sujas de poeira. Foi uma cena muito forte.
Matheus Mascarenhas, estudante brasileiro na Venezuela
De acordo com os Centros de Alerta de Tsunami dos Estados Unidos, existia a possibilidade de ocorrência de ondas de tsunami perigosas em áreas costeiras localizadas a menos de 300 quilômetros do epicentro. O alerta foi cancelado algum tempo depois.
Mais de 500 equipes de emergência participam de missões de resgate em edifícios que desabaram na capital venezuelana.
Medo de saques
Após se reunir em segurança com colegas na região metropolitana de Caracas, no Parque del Este, o brasileiro acredita que as autoridades do país não estavam preparadas para a situação: “A polícia não sabia o que fazer, moto, carro bloqueando a ambulância, uma coisa muito feia, assim, uma desordem total. Até que fecharam a rua, chegou a Guarda Nacional, fechou a rua.”
Outro ponto que o estudante testemunhou foi a questão dos mercados e pavor dos comerciantes com possíveis saques após os terremotos.
“Os supermercados estão cheios de filas e não deixam ninguém entrar, você tem que fazer o seu pedido, pagar e depois receber, porque eles estão com medo de saques em massa. Ninguém tem orientação, não tem mensagem da Defesa Civil Venezuelana, estamos no escuro. Não sei como está o meu prédio, não faço ideia”, desabafa Mascarenhas.
*Com informações da Reuters

