O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou em consideração as eleições de outubro e o histórico de atuação no Congresso Nacional para escolher a senadora Teresa Leitão (PT-PE) como nova líder do governo no Senado, segundo apuração da CNN.
A decisão ocorre após a saída de Jaques Wagner (PT-BA), que foi alvo de operação da PF (Polícia Federal) relacionada ao caso do Banco Master, na semana passada.
Teresa é vista como uma legisladora de longa data, tendo cumprido cinco mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa de Pernambuco, sendo eleita pela primeira vez em 2003.
Já em 2023, Teresa chegou ao Senado e está na metade do seu mandato de oito anos na Casa Alta, o que, na avaliação do Planalto, garante mais tempo para a petista se dedicar à função de líder.
Outro fator que pesou na decisão do presidente Lula foi o fato da senadora já comandar a bancada do PT no Senado desde abril deste ano.
A escolha para a liderança partidária havia sido feita pelos dez integrantes da bancada e, na avaliação do governo, a manutenção de Teresa em uma posição de comando contribui para dar continuidade ao trabalho político na reta final do terceiro mandato de Lula.
A CNN Brasil apurou ainda que a definição foi tratada diretamente entre o presidente e a senadora.
Teresa recebeu uma ligação de Lula na manhã desta quinta comunicando o convite para assumir o cargo. A senadora deve se encontrar pessoalmente com o presidente na próxima segunda-feira (29) para alinhar os objetivos da iderança.
Com a mudança, integrantes do governo avaliam que o ministro da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), José Guimarães, deve ampliar sua atuação junto ao Senado.
Sob Jaques Wagner, a liderança do governo tinha maior autonomia na condução das negociações políticas. Agora, a expectativa é que Guimarães participe de forma mais direta da articulação das pautas consideradas prioritárias pelo Palácio do Planalto.
Nos bastidores, auxiliares do presidente apontam ao menos dois fatores para justificar a manutenção do protagonismo da SRI na relação com os senadores.
O primeiro é o histórico de atuação de Teresa, mais concentrado em pautas ligadas à educação. O segundo é o momento delicado da relação entre o governo e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
No fim de abril, a derrota de Jorge Messias para uma vaga ao STF (Supremo Tribunal Federal), com articulação direta do presidente do Senado, contrariou Lula. Desde então, as conversas entre governo e Alcolumbre ficaram concentradas em Guimarães.
A senadora assumirá o cargo com a missão, segundo Lula, de articular a aprovação de duas PECs (Propostas de Emenda à Constituição) que são prioritárias para o governo sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e a chamada PEC da Segurança Pública.
Fontes da articulação do governo ouvidas pela CNN Brasil também pontuaram que a senadora deve trabalhar para barrar as pautas-bomba que têm pressionado o orçamento do governo em ano eleitoral.

