O debate em torno do fim da escala de trabalho 6×1 ganhou novos contornos nesta quinta-feira (25) durante evento promovido pela Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), em São Paulo.
A entidade apresentou dados que apontam para consequências significativas no mercado imobiliário caso a jornada de trabalho seja reduzida.
De acordo com as pesquisas apresentadas pela Abrainc, a mudança na escala de trabalho pode encarecer os imóveis em mais de 5%.
Luiz França, presidente da associação, classificou o projeto como “pauta-bomba” e alertou que aproximadamente 12,5 milhões de brasileiros poderiam ficar mais distantes de realizar o sonho da casa própria.
Segundo ele, o fim da escala 6×1 encareceria a mão de obra e, consequentemente, também a construção de edifícios.
França destacou ainda que os efeitos da mudança não se limitariam ao setor imobiliário. As pesquisas da Abrainc apontam para a inflação de outros produtos, como vestuário, bebidas e alimentos.
Ele argumentou que o brasileiro poderá não encontrar atendimentos ou terá de pagar mais caro por consumo no tempo livre.
França também afirmou que o Brasil seria o único país do mundo a tratar a escala de trabalho na Constituição Federal, em vez de apenas administrar a jornada de trabalho.
Juros altos agravam cenário do setor
Além da discussão sobre a escala 6×1, os juros elevados no Brasil também foram apontados como uma forte preocupação do setor imobiliário.
A taxa Selic, que chegou a 15% ao ano no início do ano — o patamar mais alto em 20 anos no Brasil —, ainda se encontra em 14,25%, tornando o financiamento imobiliário mais caro e reduzindo o número de compradores.
O endividamento crescente da população brasileira foi citado como um fator agravante, já que o financiamento de imóvel tende a ser a última prioridade para quem já está muito endividado.
O conflito no Oriente Médio, que pressionou a inflação em nível global, também foi mencionado como uma variável fora do controle do mercado e que integra as discussões do evento da Abrainc.

