Autoridades venezuelanas continuam as buscas por desaparecidos após fortes terremotos atingirem o país na última quarta-feira (24). Um site não oficial, denominado Desaparecidos Terremoto Venezuela, registra cerca de 42 mil pessoas desaparecidas, sendo que, até o momento, quase 4 mil já foram localizadas.
A plataforma, criada como iniciativa voluntária e sem vínculo com o governo, também é utilizada por venezuelanos que se encontram fora do país e tentam obter informações sobre familiares.
Diante da tragédia, os Estados Unidos anunciaram o envio de ajuda emergencial à Venezuela. Segundo a analista de internacional da CNN Fernanda Magnotta ao CNN 360°, a iniciativa representa uma mudança significativa no relacionamento entre os dois países.
“A lógica geopolítica vai dando espaço, em alguma medida, à diplomacia humanitária”, afirmou Magnotta, destacando que os norte-americanos, após uma acomodação com o governo venezuelano, têm iniciado uma série de tratativas no campo das trocas bilaterais.
Papel humanitário dos Estados Unidos
De acordo com Fernanda Magnotta, a contribuição norte-americana deve se concentrar, em primeiro lugar, no aspecto humanitário.
“Estou falando basicamente de equipes de busca, de resgate, assistência médica, logística e ajuda emergencial”, explicou a analista. Ela ressaltou ainda que autoridades internacionais costumam destacar a importância das primeiras 72 horas em episódios como esse, por serem determinantes para salvar vidas.
Entre os recursos colocados à disposição da Venezuela, Magnotta destacou o transporte aéreo, atividades de inteligência, capacidade de coordenação internacional e suporte financeiro para a aquisição de insumos necessários.
A analista também apontou que, além do caráter humanitário, a ação dos Estados Unidos carrega um componente político.
“Interessa a Washington reforçar essa imagem de parceiro regional”, disse Magnotta, acrescentando que há, por parte do governo Trump, o interesse em articular benefícios na relação com o governo venezuelano.
No entanto, ela ponderou que os elementos técnicos e humanitários desempenharão um papel bastante importante neste momento.
Desafios da Venezuela diante da crise
Fernanda Magnotta alertou que a Venezuela enfrentará dias ainda mais difíceis pela frente.
Segundo ela, o país já vivia uma profunda crise econômica e institucional antes da ocorrência dos terremotos, o que torna a capacidade do Estado de responder a um evento inesperado como este ainda mais limitada.
“A Venezuela agora é mais do que nunca dependente da ajuda internacional”, afirmou a analista, ressaltando a necessidade de coordenação entre governos, organismos multilaterais e parceiros de diversas naturezas.
No curto prazo, Magnotta apontou como desafio mais urgente a localização de sobreviventes, o atendimento de feridos — que passam da casa dos milhares — e o oferecimento de abrigo às populações em situação de vulnerabilidade.
Em seguida, virá o processo de reconstrução de infraestrutura crítica, incluindo hospitais, vias públicas, redes de telecomunicações, abastecimento de energia e moradias. A analista alertou ainda que a crise já existente tende a se aprofundar, com impactos sobre a pobreza, o deslocamento populacional e o fluxo migratório, que já representa uma questão relevante, inclusive com reflexos no Brasil.

