A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (25) uma operação sobre eventuais irregularidades no rombo financeiro das Americanas. A varejista está em recuperação judicial desde 2023, na 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Em março deste ano, a Americanas ingressou com um pedido para sair da recuperação judicial. Na época, o CEO da empresa, Fernando Soares, disse à CNN que já havia cumprido 100% do plano previsto.
Durante a divulgação dos resultados da empresa referentes ao 1° bimestre de 2026, a empresa disse que o Ministério Público e o administrador judicial já haviam emitido pareceres favoráveis à saída antecipada da empresa do regime recuperacional.
De acordo com Fernando Soares, os números positivos e um bom fluxo de caixa fizeram com que o pedido de saída fosse adiantado. A solicitação foi entregue à 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro e é preciso que a Justiça acate.
No quarto trimestre de 2025, a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 44 milhões, reduzindo o resultado negativo de R$ 586 milhões contabilizado no final de 2024.
Em fevereiro de 2026, o grupo recebeu aprovação de seus credores para vender uma série de imóveis, com valor total estimado entre R$ 346 milhões e R$ 468 milhões.
Com isso, a empresa se comprometeu a destinar 60% do montante líquido que exceder R$ 200 milhões relativos à venda dos imóveis para amortização ou resgate antecipado das debêntures.
A CNN Brasil procurou a Americanas e aguarda posicionamento. O espaço segue aberto.
Relembre o caso
Em 11 de janeiro de 2023, a Americanas comunicou ao mercado ter detectado inconsistências em lançamentos contábeis estimadas em R$ 20 bilhões. Na época, a companhia informou que os impactos do rombo ainda eram incertos, mas indicou que o efeito caixa seria imaterial.
Depois de realizar uma análise mais aprofundada da sua situação financeira, a Americanas constatou uma dívida superior a R$ 40 bilhões.
Oito dias após a descoberta do rombo, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial. O pedido foi aceito pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em janeiro de 2023.
As Lojas Americanas e a Comissão de Valores Mobiliários encaminharam informações aos procuradores do Rio de Janeiro para esclarecer os fatos e auxiliar nas apurações. Como parte do processo investigativo, acordos de delação foram firmados para identificar os responsáveis e compreender a extensão da fraude.
Uma investigação interna conduzida pela empresa verificou que a diretoria da época tinha conhecimento da fraude contábil. O relatório da empresa disse ter identificado esforços dos diretores para ocultar do Conselho de Administração e do mercado em geral a real situação de resultado e patrimonial da companhia.

