A seleção de Portugal carrega uma tradição curiosa há décadas: levar bacalhau para as principais competições internacionais de futebol.
O hábito atravessou gerações de jogadores, treinadores e dirigentes, se tornando uma das marcas da equipe nacional.
Durante a Eurocopa de 2021, por exemplo, a delegação portuguesa levou cerca de 150 quilos de bacalhau, 50 quilos de arroz carolino, além de 60 garrafas de azeite e 60 garrafas de vinagre para a base localizada em Budapeste, na Hungria.
A medida faz parte dos esforços da Federação Portuguesa de Futebol para reproduzir, durante os torneios, um ambiente semelhante ao encontrado na Cidade do Futebol, em Oeiras.
Além da alimentação, hotéis e centros de treinamento costumam receber decoração com as cores de Portugal, espaços de fisioterapia e até adaptações nos gramados para que os jogadores encontrem condições semelhantes às dos estádios onde vão atuar.
Embora hoje seja mais fácil encontrar produtos portugueses no exterior, a tradição de transportar ingredientes do país permanece. O responsável pela alimentação da seleção por muitos anos foi o chef Luís Lavrador, que acompanhou a equipe por 25 anos.
Origem da tradição
A relação entre a seleção e o bacalhau vai além da gastronomia. Uma superstição antiga diz que, durante a campanha histórica de Portugal na Copa do Mundo de 1966, os jogadores teriam comido bacalhau antes de todas as partidas, exceto na semifinal contra a Inglaterra, jogo que terminou com a eliminação portuguesa após uma derrota por 2 a 1.

Ao longo dos anos, outros episódios ajudaram a alimentar a lenda. Um dos mais lembrados envolve a semifinal da Eurocopa de 2004 contra a Inglaterra. A história popular afirma que o goleiro Ricardo Pereira teria almoçado uma generosa porção de bacalhau antes da partida em que defendeu um pênalti e marcou o gol decisivo na disputa de pênaltis que classificou Portugal para a final.
O título da Eurocopa de 2016 também está envolvido nas superstições. Após o gol do atacante Éder que garantiu a conquista diante da França, surgiram histórias de que o atacante também teria comido bacalhau antes da decisão. Embora não exista uma comprovação, a narrativa passou a integrar o repertório dos torcedores.
A importância do prato ficou evidente em declarações atribuídas ao chef Luís Lavrador, que afirmou que um dos alimentos preferidos de Cristiano Ronaldo nas concentrações da seleção era justamente o bacalhau à Brás.

Com o passar dos anos, a tradição ultrapassou os limites dos centros de treinamento e chegou aos torcedores. Muitos portugueses mantêm o costume de servir bacalhau durante jogos da seleção e alguns acreditam que o prato traz sorte em jogos decisivos.

