O presidente Lula intensificou sua agenda de viagens e entregas pelo país com o objetivo de aproveitar ao máximo o período anterior ao marco imposto pela legislação eleitoral.
Segundo apuração da analista de Política Isabel Mega no Live CNN desta quarta-feira (24), Lula deve encerrar sua agenda até 4 de julho. Após essa data, agentes públicos passam a ter restrições para participar de inaugurações e obter visibilidade institucional.
O plano traçado pela equipe de Lula prevê uma série de viagens a diferentes estados nas próximas semanas. Ele já realizou agendas no Rio de Janeiro e em São Paulo e deve retornar à capital paulista em breve para novas entregas, incluindo compromissos com Guilherme Boulos.
A estratégia, segundo interlocutores, é “centrar fogo” em agendas positivas enquanto ainda é possível utilizar a estrutura do governo para esse fim.
Entre os compromissos previstos está a passagem pelo estado da Bahia no feriado do 2 de julho, data de relevância histórica para os baianos. Lula já tinha planos de permanecer pelo menos dois dias no estado.
Há também a perspectiva de uma visita ao sul do país, aproveitando a cúpula do Mercosul no Paraguai para incluir uma passagem pelo Paraná, com visita prevista a Itaipu.
Crise com Jacques Wagner no horizonte
Em paralelo à agenda de entregas, o governo lida com os desdobramentos da crise envolvendo Jacques Wagner, após a operação “Compliance Zero” da semana passada, que atingiu o senador e seus familiares.
A situação é considerada delicada por se tratar de um aliado historicamente próximo a Lula, em um momento de grande proximidade do cenário eleitoral.
Sinalizações do entorno de Lula apontavam para um possível desfecho sobre a situação de Wagner na liderança do governo. Uma das possibilidades discutidas era o afastamento do senador da liderança, como forma de o governo “estancar a sangria” da crise.
Outra hipótese era que Wagner permanecesse no cargo por mais algum tempo, talvez até o recesso. O PT também realizava um mapeamento interno para medir o impacto da operação na campanha.
Corrida contra o tempo
A percepção nos bastidores é de que o tempo está passando rapidamente e que Lula precisa agilizar as agendas antes que as restrições eleitorais entrem em vigor.
O objetivo, na avaliação de articuladores, é trabalhar para aumentar a aprovação de Lula em paralelo à queda de Flávio Bolsonaro nas pesquisas.
Institutos de pesquisa ainda não haviam divulgado levantamentos que medissem o efeito da operação envolvendo Wagner sobre a campanha.

