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Doces Bárbaros faz 50 anos, relembre grupo formado por grandes nomes da MPB

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Doces Bárbaros faz 50 anos, relembre grupo formado por grandes nomes da MPB

Em 24 de junho de 1976, Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia subiam ao palco do Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, como o grupo Doces Bárbaros. A turnê do grupo que reuniu quatro dos principais nomes da música popular brasileira da época, deu origem ao álbum duplo que marcou o espírito disruptivo da época.

O nome do grupo surgiu como uma provocação aos rótulos colocados pela imprensa no eixo Rio-São Paulo à presença dos artistas baianos na cena musical dos anos 1970. O jornal “O Pasquim” se referia a eles como “os baianos” de forma pejorativa, insinuando uma “invasão” à elite cultural que se reunia nas casas de shows das capitais do Sudeste. Como forma de ironizar o preconceito, o grupo transformou a pecha em elementos visuais e musicais ousados.

O primeiro espetáculo contou com a produção de Guilherme Araújo e Perinho Albuquerque, além da direção geral comandada por Caetano e a musical, por Gil. Os dois já haviam acumulado um repertório de contracultura criado com a Tropicália dos anos 1960, que misturava cultura popular nordestina com o rock’n’roll e a psicodelia, e peitava o conservadorismo da Ditadura Militar.

A apresentação histórica em São Paulo reuniu uma linguagem única no álbum de mesmo nome do grupo, “Doces Bárbaros”, que tem entre as faixas “Fé Cega, Faca Amolada”, de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, “Chuck Berry Fields Forever”, de Gil, que faz referência ao rock’n’roll norte-americano e à diáspora negra, e “Pássaro Proibido”, rara composição de Maria Bethânia em parceria com Caetano Veloso, em referência à repressão do regime militar.

A faixa de abertura, intitulada “Os Mais Doces Bárbaros”, foi concebida por Caetano Veloso como uma introdução do grupo. Curiosamente, o título original da canção era “Os Mais Doces dos Bárbaros”, mas um erro de grafia da gravadora consolidou a versão sem a preposição. As faixas do lado B, que contêm clássicos como “Esotérico” e “O Seu Amor”, trazem as vozes potentes de Gal e Bethânia, reinventando o amor nos tempos do ódio e da censura.

A capa do disco é assinada pelo fotógrafo Orlando Abrunhosa, que reuniu os artistas no mesmo quadro, dispostos em círculo. A posição dos músicos forma um contínuo, que representa a horizontalidade e a permanência de seu legado para a música brasileira.

Álbum de Doces Bárbaros completa 50 anos • Reprodução

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