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Biodefensivos têm variação de preço de até 77% no Brasil

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Biodefensivos têm variação de preço de até 77% no Brasil

O mercado brasileiro de biodefensivos passa por uma rápida expansão, mas ainda apresenta distorções que podem elevar os custos de produção e comprometer a eficiência no campo. É o que aponta um levantamento da Aegro Insights, que revelou que um mesmo produto pode apresentar variação de até 77% no preço, dependendo do canal de comercialização. O estudo também identificou elevados índices de subdosagem nas aplicações realizadas pelos produtores.

O levantamento analisou os 20 bioinseticidas e bionematicidas mais utilizados na safra 2025/26, com base em notas fiscais anonimizadas e dados operacionais de propriedades rurais. Segundo a empresa, foram identificados casos de produtos formulados com o mesmo agente biológico, comercializados por marcas diferentes e com preços significativamente distintos, sem evidências técnicas que justificassem a diferença.

De acordo com o estudo, o maior impacto sobre o preço ocorre na forma de aquisição do insumo. A compra diretamente do fabricante pode reduzir o valor pago por litro em até 60% em negociações de maior volume, quando comparada à aquisição por outros canais, como cooperativas e revendas.

Em outro exemplo, a pesquisa encontrou produtos formulados com o agente biológico Bacillus velezensis com custo variando entre R$ 31 e R$ 50 por hectare, reforçando a necessidade de o produtor avaliar não apenas o preço, mas também as características técnicas de cada formulação.

Falhas no manejo dos biodefensivos

Além do custo de aquisição, o estudo chama atenção para falhas no manejo dos biodefensivos.

Entre os casos avaliados, 90% das aplicações do produto Trichodermil Super SC ocorreram abaixo da dose mínima indicada em bula. Enquanto o fabricante recomenda aplicações entre 0,8 e 1 litro por hectare, a dose mediana observada nas propriedades foi de apenas 0,10 litro por hectare.

Segundo o CEO da Aegro, Mauricio Schneider, a prática reduz a eficiência do controle biológico.Ele explica que quando o produto é aplicado abaixo da dose para a qual foi desenvolvido e testado, o controle das pragas e doenças tende a ser inferior ao esperado.

Para Schneider, o setor de biológicos vive uma nova etapa de desenvolvimento no Brasil, marcada pelo aumento da concorrência, expansão da capacidade produtiva e redução gradual do custo por hectare.

Segundo ele, esse amadurecimento amplia as opções disponíveis aos produtores, mas também torna mais complexa a tomada de decisão.

O executivo recomenda que o produtor compare informações técnicas, avalie as características das cepas, a concentração dos agentes biológicos e calcule o custo por hectare antes de definir a compra.

A escolha dos biodefensivos deve considerar fatores como identificação da cepa, concentração do agente biológico, dose recomendada, compatibilidade com misturas, janela de aplicação e custo por hectare em comparação aos defensivos químicos.

Segundo a Aegro, também é importante avaliar benefícios indiretos, como redução de resíduos, manejo da resistência de pragas e sustentabilidade da produção.

A expectativa da empresa é ampliar esse tipo de levantamento para outras categorias de insumos agrícolas, utilizando mineração de dados para identificar oportunidades de redução de custos e aprimoramento da gestão nas fazendas.

Com o crescimento acelerado do mercado de produtos biológicos, a utilização de informações técnicas e indicadores de desempenho tende a ganhar importância na definição das estratégias de manejo e na rentabilidade das propriedades rurais.

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