O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chegará à região do Golfo nesta terça-feira (23) para promover o acordo com o Irã junto a três países que provavelmente estão entre os seus maiores céticos.
Os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein e o Kuwait estiveram entre os Estados do Golfo mais duramente visados pelo Irã durante a guerra, enquanto os ataques à Arábia Saudita, ao Catar e ao Omã diminuíram nos dias finais do conflito.
A situação do Kuwait é particularmente precária. O aliado dos EUA depende fortemente das receitas de exportação de petróleo e está mais exposto a interrupções no Estreito de Ormuz do que os Emirados Árabes Unidos, uma vez que a totalidade de suas exportações marítimas de petróleo passa por essa via navegável.
Ao contrário de alguns de seus vizinhos, o país também não dispõe de sistemas de defesa antimíssil altamente avançados e encontra-se ao alcance do arsenal de mísseis de curto alcance do Irã.
Embora os Estados do Golfo tenham recebido de modo geral com satisfação o fim da guerra, Rubio poderá enfrentar uma tarefa mais difícil ao tentar convencê-los, a portas fechadas, dos méritos do acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irã.
O acordo confere ao Irã um papel formal na supervisão do tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz, em conjunto com Omã — um arranjo incomum para uma importante via navegável internacional. Isso significa que grande parte do comércio marítimo dos Estados do Golfo poderia ser realizada sob supervisão iraniana.
O acordo também não aborda o programa de mísseis do Irã, uma preocupação que muitos Estados do Golfo consideram mais imediata do que as atividades nucleares de Teerã. A questão nuclear em si permanece sem solução no âmbito do acordo provisório.
Mas, talvez mais importante ainda, o acordo exige a adesão dos Estados do Golfo, uma vez que inclui um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões para o Irã — item cuja inclusão foi exigida por Teerã.
Trump comprometeu recursos do Golfo com a iniciativa, mas há poucos indícios de que os próprios Estados do Golfo tenham aderido a ela. A Arábia Saudita já declarou não ter “detalhes” sobre a proposta, enquanto o Catar manifestou interesse, mas não chegou a assumir um compromisso formal.

