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Entenda por que a França restringiu consumo de álcool em festival de música

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Entenda por que a França restringiu consumo de álcool em festival de música

A Europa sofre com seu segundo “domo de calor” em dois meses, com temperaturas ultrapassando os 40°C, criando condições perigosas em vastas áreas do continente que mais rapidamente aquece no planeta.

A França proibiu o consumo de álcool em locais públicos, a Espanha fechou uma área de exibição para torcedores da Copa do Mundo e o Reino Unido se prepara para ver seu recorde histórico de temperatura para o mês de junho ser amplamente superado.

Alertas de calor foram emitidos na segunda-feira (22) por 26 países, da Irlanda à Grécia, à medida que as temperaturas em disparada provocam uma das piores ondas de calor de junho já registradas na Europa Ocidental.

As temperaturas extremas são resultado de um domo de calor estacionado sobre o continente pela segunda vez em dois meses. Domos de calor são sistemas persistentes de alta pressão que funcionam como uma tampa de panela, aprisionando o ar quente e empurrando-o para baixo.

As ondas de calor também ocorrem no momento em que um El Niño em intensificação se forma no Pacífico tropical. Sabe-se que esse padrão climático natural aumenta a frequência e a gravidade de extremos de calor em todo o mundo.

Cientistas afirmam que esses tipos de onda de calor estão se tornando mais severos e frequentes à medida que a humanidade continua a queimar combustíveis fósseis e a aquecer o planeta.

O calor extremo pode rapidamente se tornar perigoso e até mortal, especialmente em um continente onde poucas pessoas possuem ar-condicionado. Apenas cerca de 20% das residências europeias têm ar-condicionado, em comparação com cerca de 90% nos Estados Unidos.

Na França, o calor intenso tem sido implacável. Mais da metade de seus 96 departamentos estavam sob alerta vermelho para onda de calor no domingo (21) o nível mais grave. As temperaturas ultrapassaram os 40°C em algumas partes do país.

O calor estava tão intenso no domingo que o governo proibiu o consumo de álcool em locais públicos durante a “Fête de la Musique” (Festa da Música), um festival anual que ocorre em todo o país e leva milhões de pessoas às ruas. A proibição aplicou-se às regiões sob alerta vermelho de onda de calor.

“Para todos os eventos organizados pelo Estado e seus órgãos, foram dadas instruções para não oferecer álcool”, informou o gabinete do primeiro-ministro em um comunicado.

A previsão é de que a segunda-feira seja ainda mais quente, com temperaturas chegando a mais de 42°C em alguns locais. O governo ordenou o fechamento de mais de 800 escolas, segundo uma reportagem da Associated Press.

Espera-se que as temperaturas atinjam “um patamar muito elevado” até a próxima quinta-feira (25), informou a Météo-France.

Na segunda-feira, pelo menos quatro localidades na França registraram recordes históricos de temperatura máxima para qualquer mês do ano, enquanto outras quebraram recordes para o mês de junho.

“Esta onda de calor será bastante comparável em gravidade à de agosto de 2003. Espera-se que a supere em termos de intensidade máxima”, afirmou a Météo-France na segunda-feira, referindo-se a uma onda de calor letal de 16 dias que causou a morte de quase 15 mil pessoas.

Outras partes da Europa também enfrentarão um calor sem precedentes. No Reino Unido, a previsão é de que as temperaturas cheguem a pelo menos 39°C na quarta-feira (24), segundo o Met Office (serviço meteorológico do país); isso superaria amplamente o recorde histórico de calor para junho no Reino Unido, de 35,6°C, registrado pela última vez em 1976. Os níveis de umidade estarão elevados, tornando o calor ainda mais sufocante.

O Met Office emitiu um raro “Alerta Vermelho de Calor Extremo” para quarta e quinta-feira.

O país também enfrentará “noites tropicais”, nas quais as temperaturas não caem abaixo de 20°C. O calor noturno é particularmente prejudicial, pois oferece poucas chances de descanso e recuperação.

Cientistas alertaram para a dimensão da onda de calor no Reino Unido. Isso significa dois meses consecutivos “nos quais os recordes de temperatura do Reino Unido foram pulverizados por uma margem bem superior a 2 graus Celsius”, disse Liz Bentley, diretora-executiva da Royal Meteorological Society.

“Não se trata apenas de uma onda de calor, mas de uma fornalha impulsionada por um ‘domo de calor’ que dominará a maior parte do sul do Reino Unido e elevará as temperaturas a níveis verdadeiramente excepcionais”, afirmou Akshay Deoras, meteorologista da Universidade de Reading.

Partes da Espanha sofrem com temperaturas altíssimas e noites tropicais. Na costa de Almería, no sudeste da Espanha, as temperaturas noturnas entre domingo e segunda-feira não caíram abaixo de 30°C, segundo a AEMET, o serviço meteorológico do país.

Em Madri, uma área com telões montada para o público assistir à Copa do Mundo foi fechada no domingo devido ao calor, informou a Reuters. A segunda-feira deve ser novamente extremamente quente, informou a AEMET no X, acrescentando que “o perigo é significativo em grande parte do país”.

O calor é frequentemente chamado de assassino silencioso. Ele não causa a destruição visível de um furacão, de uma enchente ou de um incêndio florestal, mas é o tipo mais letal de fenômeno meteorológico extremo. Temperaturas extremas, especialmente quando combinadas com alta umidade, reduzem a eficácia do suor e de outros mecanismos que o corpo utiliza para se resfriar.

O calor e a umidade estão atingindo, cada vez mais, níveis que o corpo humano tem dificuldade em suportar. Temperaturas extremas causaram a morte de mais de 200 mil pessoas nos últimos quatro anos, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Cientistas alertam que esse tipo de onda de calor extrema se tornará cada vez mais comum à medida que o planeta aquece.

“As mudanças climáticas causadas pela atividade humana serviram de ponto de partida para esse evento, sobrecarregando a atmosfera com calor adicional e tornando as temperaturas extremas muito mais intensas do que seriam no passado”, afirmou Deoras.

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