O presidente americano, Donald Trump, compartilhou, nesta terça-feira (23), um texto do portal Newsmax que aponta a eleição presidencial no Brasil como o próximo grande foco de atenção na América Latina.
A publicação argumenta que as prováveis vitórias da direita na Colômbia e no Peru representariam triunfos para o líder norte-americano.
O texto também cita outros países da região que elegeram governos de direita desde 2019, mas destaca o Brasil como o próximo grande teste para Trump. Segundo a publicação, o resultado da eleição brasileira poderia mudar drasticamente o mapa político da América Latina.
Por que o Brasil é estratégico para os Estados Unidos?
A analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta avaliou, ao CNN 360°, que o interesse norte-americano no Brasil vai além da conjuntura política imediata. “Esse tema é um dos talvez mais importantes do ponto de vista da política hemisférica”, afirmou.
Segundo ela, os Estados Unidos reconhecem o peso do Brasil não apenas pelo tamanho de sua economia e pela relevância nas relações comerciais e de investimentos, mas também pelo fato de o país ser, ao lado dos norte-americanos, a maior democracia do continente.
Magnotta destacou que um dos principais fatores que levam Washington a acompanhar de perto as eleições brasileiras é a pauta estratégica ligada à tecnologia e à competitividade, especialmente em razão das grandes reservas brasileiras de minerais críticos e terras raras.
“Quem detém esses recursos e quem conseguir suprir as necessidades de um país em relação a isso vai ter uma certa vantagem”, explicou.
Nesse sentido, os Estados Unidos buscam se desvencilhar da dependência da China e criar alternativas para garantir o abastecimento de suas cadeias de inovação.
A presença chinesa na América Latina
A segunda grande questão apontada por Magnotta é a própria relação com a China e sua presença no subcontinente.
Ela mencionou que a estratégia de segurança nacional divulgada pelo governo Trump reconhece, pela primeira vez em décadas, o peso de adversários geopolíticos, mas decide voltar sua atenção primeiramente ao hemisfério ocidental.
Na avaliação da analista, os Estados Unidos entendem que a negligência norte-americana na região abriu espaço para os chineses, aproximando boa parte dos países da América Latina de Pequim.
“Os Estados Unidos acreditam que uma guinada mais à direita, mais pró-Trump na região, pode de alguma maneira inibir esse avanço chinês, impor mais condições e contrapartidas aos chineses e favorecer os interesses norte-americanos”, disse Magnotta.
Em contrapartida, na visão de Washington, a permanência da esquerda no poder em alguns países poderia representar maior condescendência com a presença chinesa na região.
Influência externa e soberania eleitoral
Questionada sobre a perspectiva da política externa brasileira diante desse cenário — que inclui não apenas a publicação de Trump, mas também declarações recentes de Marco Rubio — Magnotta foi categórica ao afirmar que nenhum líder internacional tem capacidade de controlar o processo eleitoral brasileiro.
“Não existe nenhum tipo de mecanismo institucional que leve essas nações a influenciar nem em quem o eleitor brasileiro escolhe, muito menos no processo em si”, declarou.
A analista ponderou, no entanto, que isso não significa que grandes lideranças internacionais não tentem, de alguma forma, defender suas agendas.
Ela avaliou que, no caso de Trump, é provável que se observe, nos próximos meses, uma sequência de endossos públicos a determinados candidatos, mobilização digital transnacional por meio de influenciadores conservadores e redes internacionais articuladas entre Brasil e Estados Unidos.
“Esse tipo de declaração sobre democracia, liberdade de expressão, ou mesmo sobre temas sensíveis na nossa justiça, gera um certo efeito simbólico”, afirmou.
Magnotta concluiu que, do ponto de vista da diplomacia, líderes não deveriam se pronunciar sobre questões políticas internas de outros países. “É o que pede as boas maneiras da diplomacia. Mas nós temos hoje um mundo do avesso em vários sentidos, e os líderes cada vez mais acabam cruzando essa fronteira”, avaliou.

