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Vinci vê demanda resiliente e defende incentivos à aviação no Norte

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Vinci vê demanda resiliente e defende incentivos à aviação no Norte

À frente de sete aeroportos (Manaus, Tefé, Tabatinga, Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Porto Velho e Boa Vista) espalhados no Norte, a Vinci Airports vê a aviação na região como fundamental e defende programas de incentivo, à exemplo das linhas de crédito às aéreas através do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), além de benefícios estaduais como fundamentais para expandir a malha áerea e conectar cidades isoladas da Amazônia.

A concessionária chegou à região amazônica após vencer o leilão do governo federal em 2021, e teve suas operações iniciadas em janeiro de 2022.

O bloco, chamado Bloco Norte, reúne quatro aeroportos de capitais — Manaus, Porto Velho, Boa Vista e Rio Branco — e três regionais: Tefé, Tabatinga e Cruzeiro do Sul.

Em entrevista à CNN, o CEO da Concessionária dos Aeroportos da Amazônia (que integra o grupo Vinci), Kleyton Mendes, comentou sobre os desafios da operação e a demanda atual na região, que diante do cenário internacional e volatilidade no QAV (querosene de aviação) deve ficar estável.

• Divulgação

No início do mês, as companhias aéreas Azul, Gol, Latam e Abaeté Linhas Aéreas formalizaram junto ao ministério de Portos e Aeroportos o pedido de acesso às linhas de crédito com recursos do Fnac (Fundo Nacional de Aviação Civil).

Como contrapartida, as aéreas deverão ampliar sua presença na Amazônia Legal (onde a Vinci opera) e no Nordeste, com o aumento em 15% da proporção de frequências operadas nessas regiões em relação ao ano anterior ou com a garantia de que 17,5% de suas decolagens anuais ocorram nesses mercados.

Questionado quanto o aumento da frequência na região, o executivo defendeu a ampliação de rotas e classificou a proposta como importante.

No fim, todo mundo tem o mesmo objetivo: aumentar a malha aérea. O Brasil é um país continental, com características muito específicas, e esse tipo de desenvolvimento é fundamental.

Kleyton Mendes, CEO da Concessionária dos Aeroportos da Amazônia, integrante da rede VINCI Airports

Além do turismo e do transporte de passageiros, a operação da Vinci também tem forte presença nas cargas. No último ano, o Aeroporto de Manaus movimentou 133 mil toneladas de carga em 2025, sendo desses cerca de 60% provenientes da Zona Franca.

No transporte de passageiros, a ocupação dos voos chega a mais de 90% de taxa média, muito em razão do acesso limitado por outros meios, que não o transporte aéreo.

“Tefé e Tabatinga não possuem nenhum acesso terrestre. O deslocamento acontece apenas por via fluvial ou aérea. Nesses municípios existe uma operação aeromédica muito forte, além do transporte de alimentos, eletrônicos e outros suprimentos necessários para atender à população”, comentou.

“O principal perfil é a população local. As pessoas utilizam esses voos principalmente para acessar hospitais, outros serviços públicos e fazer conexões com Manaus ou Rio Branco”, continou.

Em relação à movimentação de passageiros para o restante deste ano, o CEO projeta que com o cenário geopolítico, diante do conflito no Oriente Médio, que ocasionou volatilidade no preço do QAV (querosene de aviação), com a demanda se mantendo estável no segundo trimestre.

“A expectativa da Vinci é encerrar o semestre com pequena redução, de aproximadamente 1%, na oferta total de assentos”, afirmou.

Desafios na operação

Em relação aos desafios na operação, o executivo afirma que a concessionária tenta construir uma malha regional que consiga se conectar à malha nacional, buscando transformar as cidades onde atuam, promovendo o desenvolvimento da aviação, em parceria com as áereas.

“Cada aeroporto possui desafios muito próprios. Nos aeroportos regionais, principalmente Tefé e Tabatinga, a aviação está focada em atender serviços essenciais”, comentou.

Atualmente, a Azul domina o mercado regional devido à sua frota diversa, que conta com aviões menores como o Cessna Caravan, ATR-76 e o Embraer E2, aviões menores que conseguem alcançar destinos onde outras companhias como a Latam e a Gol, que operam apenas aviões da família Airbus e Boeing, não chegam.

“Hoje a grande operadora da aviação regional é a Azul. A LATAM agora também está tentando entrar nesse mercado”, disse.

Além do Caravan e do ATR, o Cessna 408 SkyCourier também é muito utilizada na região operada pela Vinci.

A Latam, em um movimento de ampliação de fortalecimento da sua malha aérea doméstica e na América do Sul, deve receber seus primeiros E2 no último trimestre deste ano.

Em 2025, a companhia anunciou a aquisição de 24 aviões do modelo. O acordo inclui opção de encomenda de até 50 aeronaves adicionais, que pode ser decidida ao longo de vários anos.

Os novos destinos que entrarão na malha a partir da chegada dos E2 devem ser divulgados em breve.

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