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Após atrasos, governo prepara mais quatro ferrovias para o TCU

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Após atrasos, governo prepara mais quatro ferrovias para o TCU

O Ministério dos Transportes pretende concluir, nos próximos meses, o envio de mais quatro projetos ferroviários ao TCU (Tribunal de Contas da União), após atrasos no cronograma. O primeiro leilão ferroviário do ano estava previsto para abril.

Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, os projetos que devem ser encaminhados à corte de contas são o Corredor Ferroviário Leste-Oeste, os três lotes da Malha Sul, a ferrovia Açailândia (MA)-Barcarena (PA) e a concessão ferroviária de passageiros entre Luziânia (GO) e Brasília

O Corredor Leste-Oeste é considerado um dos principais projetos da carteira ferroviária federal. A proposta conecta Lucas do Rio Verde (MT) ao Porto Sul, em Ilhéus (BA), integrando a Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste) e a Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste). O objetivo é criar uma alternativa para o escoamento da produção agrícola e mineral do Centro-Oeste, hoje concentrada nos portos das regiões Sul e Sudeste.

Já os três lotes da Malha Sul abrangem a rede ferroviária dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, atualmente operados pela Rumo. O projeto, que tem sido criticado pelos governos sulistas, prevê uma nova modelagem de concessão para modernização da infraestrutura e recuperação de trechos subutilizados.

A ferrovia Açailândia-Barcarena busca conectar a Ferrovia Norte-Sul ao Porto de Vila do Conde, no Pará, criando uma nova alternativa de acesso ao Arco Norte para o transporte de grãos, fertilizantes e combustíveis. 

Já o trecho de passageiros entre Luziânia e Brasília utilizará a infraestrutura ferroviária existente para atender a população do Entorno Sul do Distrito Federal, região que concentra forte fluxo diário de trabalhadores para a capital federal.

Atualmente, quatro projetos ferroviários já estão sob análise do TCU: Minas-Rio, Malha Oeste, EF-118 e Ferrogrão. Santoro afirmou, após evento de inauguração da Ferrovia Estadual do Mato Grosso, que a expectativa é que essas licitações sejam deliberadas nos próximos meses. 

Sobre a Ferrogrão, o ministro afirmou que o projeto “já já vai ser aprovado” e que a pasta já encaminhou todos os documentos faltantes para o Tribunal de Contas. A ferrovia é considerada uma das principais apostas do governo para 2026, embora ainda existam dúvidas no mercado sobre a estruturação financeira necessária para viabilizar os elevados investimentos exigidos pelo empreendimento.

Mudança no cronograma 

Apesar da manutenção da carteira de oito projetos ferroviários, o cronograma do governo sofreu atrasos. A previsão inicial era iniciar os leilões em abril com o corredor Minas-Rio, mas o projeto acabou adiado. Santoro afirmou que o processo pode ser apreciado pelo TCU ainda nesta semana, embora a análise não conste, até o momento, na pauta pública do tribunal.

Com as mudanças no cronograma, o governo passou a trabalhar com a realização do primeiro leilão ferroviário em setembro, quando está prevista a licitação da EF-118, também chamada de Anel Ferroviário Sudeste. Para que o cronograma seja mantido, o edital precisará ser publicado até o dia 30 de junho.

O ministro também admitiu que parte da carteira pode ficar para 2027. Segundo ele, os três lotes da Malha Sul e a ferrovia Açailândia-Barcarena são os projetos com maior possibilidade de postergação. 

Atualmente, o cronograma oficial do Ministério dos Transportes prevê cinco leilões ferroviários ainda em 2026: EF-118 em setembro, Minas-Rio em outubro, Malha Oeste em novembro e Ferrogrão e Corredor Leste-Oeste em dezembro.

*A reportagem viajou a convite da Rumo

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