A agtech gaúcha Zeit, especializada em tecnologias para análises laboratoriais do agronegócio, iniciou a recompra da participação de investidores que entraram nos primeiros anos da operação.
A estratégia acompanha uma nova fase da companhia, que pretende financiar sua próxima fase de crescimento por meio de editais e programas de fomento à pesquisa.
Fundada em 2019 por pesquisadores da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), a Zeit projeta faturar R$ 5 milhões em 2026, ampliar a equipe e expandir a atuação para países da América do Sul.
Segundo o cofundador da empresa, Renan Buque Pardinho, a decisão busca concentrar nas mãos dos sócios fundadores as definições sobre os rumos do negócio.
“Enquanto muitas startups procuram investidores para crescer, nós estamos fazendo o caminho inverso. Entendemos que, para o momento da empresa, faz mais sentido buscar recursos de fomento e manter a autonomia para desenvolver as tecnologias no ritmo que o mercado exige”, afirma.
Segundo os fundadores, o desenvolvimento das tecnologias exige ciclos mais longos de pesquisa e validação, o que nem sempre se encaixa nos prazos de retorno esperados por investidores de startups. Por isso, o ciclo de maturação das chamadas deeptechs, empresas de base científica e tecnológica, costumam demandar mais tempo para transformar pesquisa em produto e receita.
Para sustentar esse crescimento, a Zeit recorreu a programas de apoio à inovação. Ao longo da trajetória, a empresa captou cerca de R$ 6 milhões em recursos não reembolsáveis por meio de editais de instituições como Finep, Sebrae e Fapergs (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul).
Do laboratório para o campo
Nos laboratórios da UFSM, a ideia da empresa surgiu a partir da percepção de que análises laboratoriais essenciais para diferentes cadeias do agronegócio poderiam levar dias para ficar prontas, atrasando operações e aumentando custos.
Durante o período de doutorado, os fundadores identificaram casos em que cargas aguardavam a emissão de laudos para seguir viagem, gerando prejuízos relevantes para empresas do setor. A partir dessa demanda, nasceu a proposta de aproximar os laboratórios das operações produtivas.
Hoje, a Zeit desenvolve equipamentos e sistemas capazes de realizar análises em poucos minutos em unidades industriais ou, ainda, diretamente do campo, reduzindo a necessidade de envio de amostras para laboratórios convencionais.
Entre as soluções está a Nira, plataforma utilizada para análises rápidas de grãos, alimentos e insumos agrícolas. Segundo a empresa, a base de clientes da ferramenta cresceu cerca de 300% neste ano.
Expansão
Atualmente, a companhia atua em cinco estados brasileiros e atende clientes de diferentes segmentos do agronegócio. A expectativa é ampliar a presença no mercado nacional e iniciar uma expansão para países vizinhos, como Paraguai, Argentina e Uruguai.
Além do crescimento comercial, a empresa também pretende ampliar a equipe de pesquisadores e profissionais ligados ao desenvolvimento tecnológico.
Para Pardinho, a estratégia de expansão está diretamente ligada à manutenção do perfil científico da companhia.
“Nosso objetivo é continuar investindo em pesquisa e desenvolvimento sem abrir mão da capacidade de decidir os próximos passos da empresa. A tecnologia que desenvolvemos nasceu da ciência e queremos que ela continue sendo o principal motor de crescimento da Zeit”, complementa.

