O governo federal decidiu manter restrito o acesso dos estados ao sistema Defesa Civil Alerta após o incidente cibernético registrado na madrugada do último sábado (20). Dessa forma, caso seja necessário o envio de alertas por motivo de evento climático extremo, as Defesas Civis estaduais deverão solicitar o disparo ao Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres.
De acordo com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, o sistema está operacional, mas funcionando apenas de forma fechada para o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres, em Brasília. A plataforma foi retirada temporariamente do ar pela Defesa Civil Nacional após o incidente. O governo informou que a ferramenta segue em fase de validações para a retomada integral da operação.
Segundo o coordenador-geral de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil Nacional, Tiago Schnorr, não há prazo para retomar a operação da plataforma de maneira integral. A equipe de tecnologia da informação do ministério trabalha na conferência dos procedimentos necessários para o restabelecimento da plataforma.
“As investigações seguem em andamento para identificar a origem da invasão e a forma de acesso à plataforma. Até o momento, o ministério não confirma hipóteses sobre a autoria ou a dinâmica do ataque, aguardando a conclusão da apuração técnica e policial”, diz o comunicado do ministério.
A Polícia Federal abriu no último sábado (20) uma investigação preliminar para apurar o suposto ataque hacker. Este tipo de procedimento aberto pela PF antecede a instauração formal de um inquérito policial.
Entenda
O sistema da Defesa Civil disparou alertas sonoros com a palavra “misantropi4” — que significa ódio à humanidade. Os alertas foram disparados entre 23h41 de sexta-feira (19) e 1h23 deste sábado (20).
O incidente acionou o nível “Extremo” do sistema da Defesa Civil, que emite um alerta sonoro em situações de risco iminente. Segundo o governo federal, o comportamento dos disparos não seguiu o padrão operacional do sistema.
A principal suspeita é de que o Sistema Defesa Civil Alerta tenha sofrido um ataque hacker. Até o momento, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional não sabe se os alertas foram disparados pela mesma pessoa ou por um grupo de indivíduos. A identidade e a localidade dos autores também não foi revelada.
Como resposta ao ataque, o governo federal suspendeu as contas de usuários envolvidas no incidente de segurança cibernética e bloqueou todos os acessos externos à Interface de Divulgação de Alertas Públicos.
A ferramenta da Defesa Civil emite dois tipos de alerta: severo e extremo. O alerta severo indica a necessidade de ações preventivas, como em casos de chuvas fortes com riscos de deslizamentos ou alagamentos, por exemplo, e o celular emite um som de “beep”, sem interromper o modo silencioso.
No modo severo, a tela fica bloqueada até que o usuário decida fechá-la. Para receber o alerta severo é preciso acessar as configurações do celular.
O alerta extremo é o nível mais alto e serve para situações de risco grave para a vida e a propriedade. Nesse caso, o celular emitirá um sinal sonoro que se mantém ativo mesmo com o aparelho em modo silencioso. A tela do celular será congelada e só poderá ser liberada pelo usuário ao fechar a notificação. Nesse caso, os celulares possuem a configuração ativada, sendo impossível desativá-la.

