A guerra no Oriente Médio deixou um rastro de destruição que vai muito além dos campos de batalha. Segundo o analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna ao CNN Prime Time, o maior custo do conflito para os Estados Unidos não foi financeiro, mas político — representado pela pressão inflacionária exercida sobre o eleitor americano.
O contexto das negociações também ganhou destaque: Steve Witkoff, enviado especial do presidente americano, Donald Trump, está a caminho da Suíça para iniciar tratativas por um acordo nuclear com o Irã.
Jared Kushner, genro de Trump, também deve participar das conversas. A rodada de negociações estava prevista inicialmente para esta sexta-feira (19), mas foi adiada em meio à escalada do conflito envolvendo Israel e Líbano.
O custo humano do conflito
Os números de mortos revelam a dimensão trágica da guerra.
De acordo com os dados apresentados por Sant’Anna, 3.540 iranianos e 3.912 libaneses perderam a vida no conflito.
“Esse número é incrível porque a guerra era no Irã. Você vê como o Líbano é vulnerável, como ele é usado como um campo paralelo de uma guerra”, afirmou o analista.
Lourival explica que, segundo médicos libaneses que atenderam as vítimas, 90% delas eram civis, muitas delas crianças. Apenas em um dos dias analisados, dos 47 mortos registrados pelo governo libanês, duas eram crianças.
Além disso, 13 militares americanos também perderam a vida no conflito. Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar também registraram dezenas de mortes cada, ao se tornarem alvos de mísseis e drones iranianos em razão das bases militares americanas presentes em seus territórios, segundo o analista.
Impacto econômico bilionário
O custo militar direto para os Estados Unidos foi estimado em US$ 80 bilhões.
Quando somados outros fatores econômicos — como o aumento do preço da gasolina — o valor total sobe para US$ 132 bilhões.
“O custo maior para os Estados Unidos é evidentemente político, essa pressão inflacionária exercida sobre o eleitor americano”, destacou Sant’Anna.
O analista ressaltou ainda que o mundo inteiro sofreu com o choque de energia, fertilizantes e insumos para as indústrias farmacêutica e de chips, todos dependentes do Estreito de Ormuz.
Destruição no Irã e perspectivas de reconstrução
O custo para o Irã, embora sem dados oficiais confirmados, é estimado em US$ 300 bilhões em destruição de infraestrutura, de acordo com Lourival Sant’Anna.
Não por acaso, esse valor coincide com o montante de um fundo de recursos privados que os Estados Unidos estariam promovendo, com participação de empresas de países ricos, das monarquias árabes do Golfo e da América Latina, com o objetivo de reconstruir o Irã devastado pela guerra.

