Nos últimos anos, um avanço significativo nos modelos de linguagens baseados em Inteligência Artificial (IA) revolucionou a criação de conteúdo, permitindo assim a geração de textos, vídeos e imagens em questão de segundos.
A eficiência, no entanto, trouxe o desafio de garantir transparência e autenticidade do que é lido e visto diariamente na internet. Em uma rotina cada vez mais inundada por automações, saber identificar se um conteúdo foi produzido por uma máquina tornou-se crucial para combater a desinformação e avaliar a credibilidade das fontes.
Embora os detectores tentem acompanhar a evolução, a análise crítica ainda ocupa o lugar de ferramenta mais eficaz nessa descoberta, uma vez que textos gerados por IA carregam características específicas.
Como confirmar se uma informação é confiável?
- Verifique o autor: é importante ter atenção ao autor (seja jornalista ou especialista). Textos sem autoria em sites desconhecidos exigem cautela;
- A reputação do veículo: desconfie de portais com nomes que imitam veículos famosos ou que usam URLs suspeitas (como fins em .co, .net.br sem registro oficial ou domínios obscuros);
- Use a regra dos três links: se a notícia for factual e relevante, ela obrigatoriamente estará sendo ecoada por outros veículos de imprensa consolidados;
- Rastreabilidade: é importante que a notícia cite fontes oficiais (ministérios, polícias, institutos de pesquisa, tribunais);
- Títulos caça-cliques: títulos excessivamente alarmistas, emotivos, escritos em letras maiúsculas ou que terminam com perguntas apelativas geralmente não pertencem ao jornalismo profissional;
- Erros de ortografia: textos com muitos erros gramaticais, pontuação excessiva ou que usam adjetivos carregados de julgamento de valor evidenciam falta de revisão profissional;
- Consulte agências: se a dúvida persistir, recorra a plataformas profissionais dedicadas exclusivamente a checar informações.
Como identificar vídeos feitos por IA?
A grande maioria desses vídeos é criada com o Veo, a IA do Google que gera produções de até 8 segundos a partir de comandos de texto.
A ferramenta vem ganhando destaque pela alta qualidade visual, inclusão de som ambiente e vozes realistas, além de corrigir “falhas” comuns que costumavam aparecer em gerações de ferramentas anteriores.
Segundo Ricardo Marsili, especialista em IA e Fabrício Carraro, program manager da escola de tecnologia Alura, alguns destalhes podem indicar esse tipo de conteúdo:
- microexpressões faciais, como o movimento dos olhos e dos lábios, podem parecer estranhas ou pouco naturais;
- sincronia do movimento labial com as falas;
- sorrisos exagerados e pouco naturais;
- desenho e movimentos das mãos (a IA pode acrescentar alguns dedos a mais);
- textura da pele, que pode parecer muito lisa, como se tivesse algum filtro aplicado;
- inconsistências na maneira como os objetos interagem com a luz e as sombras;
- bordas de objetos borradas;
- interações que desafiam as leis da física ou objetos e pessoas que aparecem e desparecem na imagem.
E textos?
Para textos, a falta de variação do vocábulo um dos principais destaques, assim como o uso de expressões clichês, a repetição de generalizações e a falta de aprofundamento das ideias.
A ausência de recursos que enriquecem o texto e abrem margem para diferentes interpretações, como metáforas e figuras de linguagem, também é uma marca registrada das produções de IA.
Somado a isso, a redundância de informações, a escassez de conclusões precisas e a dependência constante de referências externas evidenciam os limites de coerência da inteligência artificial generativa.
Como saber se estou conversando com IA ou pessoa real?
- Atente-se ao estilo da conversa;
- Solicite chamadas de voz ou vídeo;
- Faça perguntas que exigem respostas mais elaboradas;
- Não forneça dados pessoais;
- Fique atento aos links duvidosos;
- Sem erros de digitação;
- Tempo de resposta
Brasil está entre os países que mais usam inteligência artificial

