As opções de Israel no atual cenário geopolítico dependem diretamente do nível de pressão que o presidente americano, Donald Trump, decidir exercer sobre o país. A avaliação é de Carlos Frederico Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-Rio e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme) ao WW.
Coelho destacou que, nas últimas horas, houve ataques no sul do Líbano.
Segundo ele, o Irã relatou cerca de 84 violações do cessar-fogo desde que o acordo foi firmado ou prometido para ser assinado na sexta-feira.
“As opções de Israel dependem de qual o nível de pressão que Trump vai exercer“, afirmou o professor.
Trump na posição mais desconfortável
Para o analista, entre os três atores envolvidos, Trump é quem se encontra na situação mais delicada.
“Por incrível que pareça, entre os três, eu enxergo o Trump como na posição mais desconfortável”, disse Coelho.
Segundo ele, Netanyahu poderia, internamente, continuar as ações no Líbano, mas arriscaria perder o apoio americano caso o fizesse.
Coelho descreveu a situação de Trump como a de alguém tentando se equilibrar “num chão de gelo que construiu para si próprio”.
O professor explicou que Trump pediu a rendição incondicional do Irã, mas deverá receber apenas um memorando genérico em resposta.
A diferença entre o que foi exigido e o que será obtido representa, segundo ele, um custo político significativo.
“Como é que ele vende esse acordo para a sociedade americana como uma vitória? Não consigo imaginar uma saída”, concluiu o professor.

