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ONS diz que leilão de capacidade não resolveu estabilidade do sistema

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

O diretor de Planejamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Alexandre Zucarato, afirmou nesta quarta-feira (4) que os Leilões de Reserva de Capacidade (LRCap) realizados neste ano tiveram papel relevante para a segurança energética do país, mas não foram suficientes para solucionar todos os desafios operacionais enfrentados pelo sistema elétrico brasileiro.

Durante participação no Enase (Encontro Nacional do Setor Elétrico), Zucarato destacou que a crescente participação das fontes renováveis tem ampliado a complexidade da operação, especialmente nos períodos de transição entre a geração solar e o pico de consumo.

“A curva do pato está mais gordinha e mais ‘pescoçuda’. E o LRCap não resolveu todo o problema da estabilidade do sistema”, afirmou.

A chamada “curva do pato” é um fenômeno associado ao crescimento da geração solar. Durante o dia, a produção fotovoltaica reduz a demanda atendida pelas demais fontes, mas, no fim da tarde e início da noite, quando a geração solar cai rapidamente, o sistema precisa elevar a oferta de energia em um curto intervalo de tempo para atender o consumo.

O leilão de capacidade contratou cerca de 19,5 GW de potência em contratos de até 15 anos. O certame foi alvo de controvérsias desde antes de sua realização, em razão da elevação dos preços-teto às vésperas da disputa, dos baixos deságios observados em parte dos produtos e dos questionamentos apresentados por entidades do setor, pelo Ministério Público Federal e pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Apesar das críticas e de disputas judiciais, os resultados acabaram homologados pela Aneel.

Segundo Zucarato, esse comportamento tem se intensificado nos últimos anos e aumenta os desafios para a operação do SIN (Sistema Interligado Nacional).

Nesse contexto, o diretor afirmou que o futuro leilão de baterias deverá contribuir para ampliar a estabilidade elétrica e fornecer maior flexibilidade ao sistema. “O leilão de baterias vem para somar e dar mais estabilidade”, disse.

O Ministério de Minas e Energia publicou recentemente as diretrizes para o primeiro leilão de sistemas de armazenamento do país, previsto para dezembro. O objetivo é contratar recursos capazes de armazenar energia em momentos de sobra de geração e devolvê-la ao sistema nos períodos de maior necessidade.

“A matriz elétrica pede novos ativos para reduzir a dificuldade de atender as necessidades do sistema”, disse ele se referindo ao sistema utilizar diversas tecnologias para atendimento da carga.

Reservatórios

Zucarato também afirmou que os níveis de armazenamento dos reservatórios das hidrelétricas atualmente apresentam condições semelhantes às observadas em 2025. A diferença, segundo ele, está justamente na evolução do perfil da demanda e da geração renovável.

De acordo com o diretor, o crescimento da “curva do pato” tem ampliado os desafios relacionados ao atendimento da ponta de carga e à velocidade com que o sistema precisa elevar a geração para acompanhar o aumento do consumo nos horários críticos.

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