A minuta do memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irã ainda não foi divulgada publicamente, mas a CNN obteve uma cópia com uma fonte americana.
Não está claro se o texto compartilhado com a CNN refletirá a redação final do documento que deve ser assinado em um evento na sexta-feira (19).
Porém, um dos principais pontos é que o memorando não menciona explicitamente o Estreito de Ormuz, apesar de a hidrovia ter se tornado a questão central nas negociações.
O texto afirma que o tráfego marítimo entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã retornará aos níveis pré-guerra em 30 dias, e o Estreito de Ormuz conecta essas duas regiões.
Mesmo assim, o documento não aborda diretamente o futuro desse ponto estratégico de transporte para petróleo e gás.
Autoridades dos EUA rejeitaram as sugestões de que o acordo concede ao Irã o controle sobre Ormuz, enquanto o regime iraniano reforça que continuará regulando a passagem de navios e cobrando taxas.
O texto afirma que o tráfego marítimo retornará aos níveis pré-guerra “por parte da República Islâmica do Irã”, uma redação que deixa o futuro do estreito aberto a interpretações.
Além do Estreito de Ormuz, o que o memorando omite pode ser tão revelador quanto o que inclui.
O acordo inclui:
- Fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano;
- Promessa do Irã de nunca obter uma arma nuclear;
- Compromisso dos EUA de conceder isenções imediatas às exportações de energia do Irã;
- Suspensão imediata do bloqueio naval ao Irã pelos EUA;
- Retorno do tráfego marítimo regional aos níveis pré-guerra em 30 dias;
- Compromisso dos EUA de eventualmente suspender todas as sanções contra o Irã;
O que não inclui:
- O destino do programa nuclear do Irã e seu urânio enriquecido para armas nucleares foi relegado a negociações futuras, apesar de autoridades do governo Trump afirmarem que o acordo incluiria disposições para desmantelar o programa nuclear. O documento afirma que o Irã manterá o status quo do programa nuclear;
- O documento não menciona o apoio do Irã a grupos armados regionais que atacaram aliados dos EUA no Oriente Médio, nem os mísseis balísticos que disparou contra seus vizinhos.
*Sarah Tamimi, da CNN, contribuiu para esta reportagem
Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?

