O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (17) que a política de biocombustíveis tem sido fundamental para reduzir os impactos das
Durante audiência conjunta das comissões de Finanças e Tributação e de Agricultura da Câmara dos Deputados, o Ministro também defendeu medidas de apoio ao agronegócio e destacou que a maior parte dos produtores rurais mantém situação financeira saudável.
Ao comentar os efeitos dos conflitos geopolíticos sobre a economia global, Durigan afirmou que a presença dos biocombustíveis na matriz energética brasileira ajudou o país a amortecer os impactos da alta internacional dos combustíveis.
Segundo ele, sem a política iniciada ainda na década de 1970, com o Proálcool (Programa Nacional do Álcool ), os reajustes nos combustíveis teriam sido mais intensos.
O Ministro destacou ainda o aumento da participação dos combustíveis renováveis na matriz energética.“Vamos ter aumento da mistura do biodiesel e do etanol nos combustíveis fósseis”, afirmou.
Durigan argumentou que a estratégia contribui para conter pressões inflacionárias, especialmente sobre alimentos, transporte e serviços. “O combustível no Brasil subiu, mas muito menos do que no resto do mundo e não tivemos risco de desabastecimento”, disse.
Agro é beneficiado pela agenda de abertura de mercados
Durante a audiência, Durigan também ressaltou a importância do agronegócio para a economia brasileira e afirmou que o setor está entre os principais beneficiados pela ampliação dos mercados internacionais para os produtos brasileiros.
“Nunca se abriu tanto mercado no mundo. Quem é beneficiado é a economia brasileira e o agro”, declarou.
Durigan destacou ainda a relevância do setor para a geração de emprego e renda, observando que a produção agropecuária vai muito além da atividade dentro da porteira.
“O agro é base de tudo na economia brasileira. Para cada emprego gerado dentro da porteira, são de cinco a sete empregos criados fora dela”, afirmou.
Fazenda reconhece aumento da inadimplência
Questionado por parlamentares sobre a situação financeira dos produtores rurais, Durigan reconheceu que houve aumento da inadimplência nas operações de crédito rural.
Com base em dados do Banco do Brasil, o Ministro informou que a taxa de inadimplência do setor passou de cerca de 1% a 2% para níveis entre 5% e 6%.
Apesar disso, ele afirmou que a maior parte dos produtores segue honrando seus compromissos financeiros.
“Noventa e cinco por cento do agronegócio brasileiro está bem e está pagando suas dívidas em dia”, disse.
Segundo Durigan, o governo está trabalhando para construir alternativas destinadas aos produtores que enfrentam dificuldades financeiras, especialmente em razão de eventos climáticos extremos e oscilações de mercado.
“Nós vamos construir uma saída para atender quem precisa no agronegócio”, afirmou.
Seguro rural e Proagro
Na avaliação do Ministro, o fortalecimento dos mecanismos de proteção ao produtor, como o seguro rural e o Proagro, será fundamental para reduzir a necessidade de renegociações emergenciais de dívidas no futuro.
Ele defendeu a ampliação dessas ferramentas para dar mais previsibilidade ao produtor e reduzir os riscos associados às mudanças climáticas.
“O que tenho ouvido do próprio agro é que a mudança climática é algo sério e que precisamos avançar em instrumentos de proteção”, afirmou.
A audiência ocorreu em meio às discussões sobre o próximo Plano Safra e sobre medidas de apoio financeiro aos produtores rurais afetados por dificuldades de crédito e perdas produtivas.

