Quem acompanha a Copa do Mundo de 2026 pode se deparar com uma dúvida recorrente: por que existem dois países chamados Congo? A resposta passa por uma história de fronteiras desenhadas, disputas europeias e transformações políticas que atravessaram décadas.
A República Democrática do Congo, classificada para o Mundial, e a República do Congo ficam na África Central e têm ligação com a mesma região histórica, marcada pela presença do rio Congo. Mas os caminhos dos dois territórios começaram a se separar no fim do século 19, durante a corrida das potências europeias pela colonização do continente africano.
A parte oriental da região ficou sob controle da Bélgica e recebeu o nome de Congo Belga. Depois da independência, em 1960, o país passou a ser chamado de República Democrática do Congo.
Do outro lado, o território que ficou sob influência francesa era conhecido como Congo Francês. Também independente em 1960, tornou-se a República do Congo.
A região era ocupada principalmente por povos bantos, cuja história se conecta com a formação cultural brasileira por causa da escravização transatlântica e da diáspora africana.
O retorno de um antigo participante
A Copa de 2026 marca o reencontro da República Democrática do Congo com o maior torneio do futebol mundial. A vaga veio após vitórias sobre Camarões e Nigéria na repescagem africana, além do triunfo diante da Jamaica no caminho até o Mundial.
A espera pelo retorno foi longa: 52 anos. Em 1974, o país disputou sua primeira e, até então, única Copa, mas entrou em campo com outro nome: Zaire.
O nome havia sido adotado durante o governo de Mobutu Sese Seko, que comandou o país por mais de três décadas. Após a mudança de regime, a denominação República Democrática do Congo voltou a ser utilizada.
Naquela edição, o Zaire não conseguiu pontuar e acabou derrotado em todos os jogos. Um dos confrontos foi contra o Brasil, que venceu por 3 a 0 com uma equipe que tinha os campeões Jairzinho e Rivellino.
Preparação com alerta fora de campo
O retorno ao Mundial acontece em meio a uma preocupação sanitária. A República Democrática do Congo voltou a enfrentar um surto de Ebola, situação que mobilizou autoridades locais e chamou atenção da organização da Copa.
Um amistoso contra o Chile, que seria disputado na Espanha, acabou cancelado pelo prefeito de La Línea de la Concepción por “precaução sanitária”.
Dentro das quatro linhas, o técnico francês Sébastien Desabre será responsável por comandar a equipe. A estreia da República Democrática do Congo acontece no dia 17, às 14h (de Brasília), contra Portugal, em Houston. A seleção ainda encara Colômbia e Uzbequistão no Grupo K.

